Operação policial desarticula esquema de furto de petróleo da Transpetro em seis estados brasileiros
Operação desarticula furto de petróleo da Transpetro em seis estados

Operação Haras do Crime prende suspeitos de integrar esquema milionário de furto de petróleo

Um homem suspeito de fazer parte do núcleo de liderança de uma organização criminosa especializada no furto de petróleo da Transpetro foi preso na manhã desta quinta-feira (22) em Louveira, no interior de São Paulo. A ação faz parte da Operação Haras do Crime, comandada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), com o objetivo de desarticular e prender integrantes do esquema.

Detalhes da prisão e estrutura do crime

O preso foi identificado como Elton Felix de Oliveira, conhecido como professor Elton, que seria um dos líderes do grupo. Até o momento desta reportagem, seis pessoas já haviam sido detidas em cumprimento a mandados judiciais. A operação investiga suspeitas de que os criminosos realizavam perfurações clandestinas em oleodutos que passam pela fazenda da família Garcia, localizada na Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro.

De acordo com as investigações, o prejuízo causado pelos desvios de petróleo já ultrapassa a marca de R$ 6 milhões. A reportagem tenta localizar a defesa de Elton para obter um posicionamento sobre as acusações, mas ainda não houve retorno.

Abrangência interestadual e mandados cumpridos

Agentes da Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD) e promotores do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) saíram para cumprir 13 mandados de prisão e 16 mandados de busca e apreensão. As ações ocorreram em seis estados brasileiros: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina.

O delegado Pedro Brasil explicou que a operação teve início em 2024, após uma prisão em flagrante por furto de petróleo dentro de uma propriedade rural em Guapimirim, conhecida como Fazenda Garcia. A partir dessa prisão em flagrante, iniciou-se uma investigação onde conseguimos desbaratar toda uma organização criminosa responsável pela extração desse material, afirmou o delegado.

Funcionamento do esquema criminoso

As investigações revelaram que o grupo possuía uma estrutura funcional bem organizada, com divisão clara de tarefas, hierarquia operacional e articulação interestadual. A polícia descreveu um ciclo criminoso integrado, que se iniciava com a perfuração clandestina do duto e a proteção armada do ponto ilegal.

Em seguida, era realizado um carregamento rápido do petróleo em caminhões-tanque, que seguiam por rotas interestaduais. O insumo era comercializado com notas fiscais falsificadas, emitidas por empresas de fachada, conforme destacou a DDSD em comunicado.

Contexto familiar e histórico de violência

Os Garcia são historicamente ligados à contravenção e ao carnaval no Rio de Janeiro, tendo sido vítimas de diversos atentados nas últimas décadas. O haras alvo da operação pertence às gêmeas Shanna e Tamara, filhas de Waldomiro Paes Garcia, o Maninho, ex-patrono da escola de samba Salgueiro. A propriedade estava arrendada no momento das investigações.

Segundo as autoridades, as perfurações clandestinas ocorriam no interior do haras do clã, mas não há mandados contra membros da família nesta quinta-feira. A polícia ainda não encontrou provas concretas de que eles tivessem conhecimento dos desvios realizados no terreno. Entre os suspeitos pelo furto estão os atuais arrendatários da propriedade.

Lista de presos e histórico trágico

Além de Elton Felix de Oliveira, foram presos na operação: Caio Victor Soares Diniz Ferreira, Jairo Lopes Claro, Leandro Ferreira de Oliveira, Patrick Teixeira Vidal e Washington Tavares de Oliveira. A família Garcia carrega um histórico marcado por violência, com vários membros assassinados em episódios anteriores.

Shanna Garcia, herdeira do haras, foi alvo de disparos em outubro de 2019 em frente a um shopping no Recreio dos Bandeirantes. Seu pai, Waldomiro Paes Garcia, foi assassinado em 2004; seu irmão, Myro Garcia, morto em 2017; e seu primeiro marido, José Luiz de Barros Lopes, conhecido como Zé Personal, executado em 2011.

A operação continua em andamento, com investigações aprofundadas para identificar todos os envolvidos e recuperar os prejuízos causados à Transpetro e ao erário público.