Operação Caminhos do Cobre desarticula esquema de furto e receptação de cabos em quatro estados
Operação desarticula esquema de furto de cabos em quatro estados

Polícia Civil desarticula organização criminosa interestadual especializada em furto de cabos

A Polícia Civil do Rio de Janeiro, por meio da Delegacia de Roubos e Furtos (DRF), deflagrou nesta segunda-feira, 23 de setembro, uma nova e significativa fase da Operação Caminhos do Cobre. A ação tem como objetivo central desarticular uma sofisticada organização criminosa de atuação interestadual, profundamente envolvida em uma rede complexa de furtos de cabos, receptação de materiais e lavagem de dinheiro.

Esquema criminoso movimentou quase meio bilhão de reais

Conforme as investigações detalhadas pela polícia especializada, o grupo criminoso conseguiu movimentar a impressionante quantia de R$ 417.954.201 ao longo de suas operações ilícitas. A operação policial está sendo executada simultaneamente em quatro estados brasileiros: Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Tocantins.

No estado do Rio de Janeiro, os mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em importantes municípios, incluindo a capital Rio de Janeiro, além de Nilópolis, Mesquita e Itaguaí. A ação busca evidenciar a extensão territorial da organização.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Estrutura organizada e métodos sofisticados de atuação

De acordo com as autoridades, a organização criminosa possuía uma estrutura meticulosamente dividida em núcleos com funções específicas, operando de forma coordenada em diferentes estados. Os furtos ocorriam predominantemente durante o período da madrugada, utilizando-se de métodos elaborados:

  • Caminhões eram empregados para arrancar cabos subterrâneos de redes de energia e telecomunicações.
  • Motocicletas atuavam como batedores, monitorando a movimentação policial e bloqueando vias de acesso para facilitar a ação dos ladrões.

Após a retirada ilegal, os materiais metálicos, principalmente cabos de cobre, eram transportados para pontos de fracionamento clandestinos. Em seguida, segundo a DRF, os itens eram comercializados para ferros-velhos e empresas de reciclagem que mantinham vínculos diretos com o grupo criminoso.

Mecanismos de lavagem de dinheiro e falsificação documental

O núcleo financeiro da organização era responsável por emitir notas fiscais falsas, conferindo uma aparência de legalidade às transações comerciais ilícitas. Os valores obtidos eram fragmentados através de uma série complexa de transferências bancárias sucessivas, uma estratégia deliberada para dificultar e confundir o rastreamento financeiro pelas autoridades.

As investigações revelaram que o principal investigado no esquema movimentou sozinho cerca de R$ 97 milhões, um valor considerado absolutamente incompatível com sua capacidade econômica declarada. Além disso, uma das empresas identificadas como central no funcionamento do esquema registrou uma movimentação financeira superior a R$ 90 milhões.

Medidas para descapitalizar a organização criminosa

Nesta nova fase da operação, a Delegacia de Roubos e Furtos solicitou judicialmente medidas contundentes para atingir o patrimônio do grupo. As solicitações incluem:

  1. O sequestro de veículos e imóveis de propriedade dos investigados.
  2. O bloqueio de ativos financeiros e contas bancárias associadas.

O objetivo declarado é interromper definitivamente a cadeia criminosa e recuperar valores obtidos de forma ilegal, restituindo-os aos cofres públicos ou aos prejudicados.

Ofensiva permanente contra o furto de metais

A Operação Caminhos do Cobre representa uma iniciativa permanente e contínua da Polícia Civil para combater o furto de cabos e materiais metálicos em todas as suas etapas, desde a subtração até a revenda no mercado informal. Desde setembro de 2024, a corporação já realizou mais de 430 fiscalizações em estabelecimentos como ferros-velhos, resultando na prisão de aproximadamente 200 responsáveis por esses locais.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

No mesmo período, foram apreendidas cerca de 300 toneladas de fios de cobre e outros materiais metálicos roubados. Em fases anteriores desta mesma operação, a polícia já havia solicitado o bloqueio de cerca de R$ 240 milhões em ativos ligados ao crime.

As investigações também apontam que estas ações policiais buscam descapitalizar braços operacionais do tráfico de drogas, que, segundo a avaliação da Polícia Civil, frequentemente fomentam e se beneficiam economicamente deste tipo específico de crime contra o patrimônio público e privado.