Operação Contenção avança contra o Comando Vermelho na Baixada Fluminense
Nesta quarta-feira, 4 de setembro, a Polícia Civil do Rio de Janeiro, em conjunto com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), deu início a mais uma fase da Operação Contenção, uma ação estratégica destinada a frear o avanço territorial do Comando Vermelho (CV) na região metropolitana. Desta vez, o foco das investigações recaiu sobre o município de Duque de Caxias, situado na Baixada Fluminense, onde as autoridades buscaram desarticular pontos-chave da facção criminosa.
Mandados cumpridos e prisões efetuadas
Até o momento da última atualização desta reportagem, as equipes policiais já haviam conseguido efetuar quatro prisões de indivíduos suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas e a organização criminosa. A operação foi coordenada pela 31ª Delegacia de Polícia (DP) de Ricardo de Albuquerque, com o apoio fundamental dos promotores do Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ).
No total, foram expedidos e estão sendo cumpridos 40 mandados de prisão e 33 mandados de busca e apreensão, concentrados principalmente na comunidade Vai Quem Quer, um reduto conhecido do CV na área. A ação visa desmantelar a estrutura logística e financeira da facção, que tem se expandido de forma preocupante nos últimos meses.
Liderança de Rodolfo Manhães Viana, o Rato
De acordo com informações divulgadas pela Polícia Civil, a comunidade Vai Quem Quer é chefiada por Rodolfo Manhães Viana, popularmente conhecido como Rato. Embora ele esteja atualmente detido em um presídio federal, as investigações apontam que ele continua comandando as atividades ilícitas do tráfico local à distância, demonstrando a complexidade e a resiliência das redes criminosas.
Parte dos indivíduos procurados nesta quarta-feira teve participação direta em um episódio violento ocorrido há aproximadamente um ano: a tentativa de resgate de Rato, que resultou em um ataque armado à 60ª DP de Campos Elíseos. Na ocasião, a delegacia foi metralhada por traficantes, deixando dois policiais feridos e causando danos estruturais significativos, que levaram à interdição temporária do imóvel.
Descoberta de caixinha centralizada da facção
Durante as investigações que antecederam esta fase da Operação Contenção, os policiais e promotores identificaram a existência de uma caixinha centralizada mantida pela facção. Este fundo ilícito era abastecido regularmente por chefes locais do CV e tinha como finalidade principal custear despesas de integrantes presos, além de financiar a compra e venda de armas e drogas, fortalecendo o aparato operacional do grupo.
A descoberta reforça a tese de que o Comando Vermelho opera com um sistema financeiro sofisticado, que sustenta suas atividades criminosas mesmo diante de ações repressivas das forças de segurança. A operação atual busca justamente interromper esse fluxo de recursos e desorganizar a cadeia de comando, visando a redução da violência e a recuperação de territórios dominados pelo tráfico.
Contexto histórico do ataque à 60ª DP
O ataque à 60ª DP de Campos Elíseos, ocorrido em fevereiro de 2025, marcou um momento crítico na luta contra o crime organizado no Rio de Janeiro. Após a prisão de Rato na manhã daquele dia, traficantes cercaram a delegacia à noite e abriram fogo intensamente, destruindo a entrada do prédio e ferindo dois agentes. O imóvel precisou ser interditado para reparos e foi reinaugurado apenas um mês depois.
Esse episódio de extrema violência desencadeou uma série de operações policiais na região, resultando em diversas prisões e mortes de traficantes apontados como envolvidos, direta ou indiretamente, na tentativa fracassada de resgate. A Operação Contenção representa, portanto, a continuidade desses esforços para conter a expansão do CV e garantir a segurança pública na Baixada Fluminense.



