Influenciadora e Musa da Gaviões da Fiel é Denunciada por Lavagem de Dinheiro do PCC
Musa da Gaviões Denunciada por Lavagem de Dinheiro Ligada ao PCC

Influenciadora e Musa da Gaviões da Fiel é Denunciada por Lavagem de Dinheiro do PCC

O Ministério Público de São Paulo (MP-SP), através do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), apresentou denúncia na quinta-feira (19) contra a influenciadora digital e bailarina Natacha Horana Silva, reconhecida como musa da escola de samba Gaviões da Fiel. A acusação central envolve suspeitas de participação em um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro associado à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Acusações e Relacionamento com Líder do PCC

Conforme a denúncia elaborada pelo MP-SP, Natacha Horana manteve um relacionamento amoroso com Valdeci Alves dos Santos, conhecido pelo apelido de Colorido, figura de destaque dentro da organização criminosa. Ela é acusada especificamente de ocultar e dissimular a propriedade de um imóvel e de um veículo luxuoso da marca Mercedes-Benz, avaliado em impressionantes R$ 320 mil. Segundo as investigações, esses bens teriam sido adquiridos com recursos financeiros originados diretamente do esquema criminoso liderado por Colorido.

Um detalhe crucial apontado pelo Ministério Público é que o pagamento total de R$ 320 mil para a aquisição do automóvel foi realizado integralmente em dinheiro vivo. Essa modalidade de pagamento, conforme destacam os promotores, dificulta significativamente o rastreamento da origem dos valores utilizados na transação, uma prática comum em operações de lavagem de capitais.

Contexto Carnavalesco e Defesa

Natacha Horana desfilou com destaque pela agremiação Gaviões da Fiel, que conquistou o vice-campeonato no carnaval paulista de 2026, no último sábado (14), no Sambódromo do Anhembi, localizado na Zona Norte da capital paulista. Ela estava confirmada para participar do desfile das campeãs, programado para ocorrer no sábado seguinte (21), evento que celebra as escolas vencedoras.

Em resposta às acusações, a defesa da influenciadora, representada pelo escritório de advocacia de Daniel Bialski, emitiu uma nota oficial expressando surpresa com a denúncia. A defesa argumenta que não teve acesso completo aos autos do processo e sustenta que a denúncia paulista repete fatos que já estão sob apuração no Estado do Rio Grande do Norte, o que configuraria uma violação ao princípio da proibição de dupla imputação penal.

"A nossa cliente foi injustamente envolvida em investigação apenas porque, anos atrás, acabou se relacionando amorosamente com uma das pessoas investigadas, sendo que jamais praticou qualquer ato ilícito, direto, indireto ou colaborativo", afirmou a defesa em comunicado.

Histórico Judicial e Operação Argento

Natacha Horana já responde a outro processo na Justiça do Rio Grande do Norte, onde também foi denunciada pelos crimes de lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito e integração em organização criminosa ligada ao ex-namorado. Ela chegou a cumprir quatro meses de prisão após ser alvo da Operação Argento, conduzida pelo Ministério Público da Paraíba, que investigava as conexões da influenciadora e ex-bailarina do programa Faustão com Valdeci Alves dos Santos.

O veículo Mercedes-Benz, objeto da nova denúncia em São Paulo, foi apreendido em 14 de novembro de 2024 durante o cumprimento de mandados de busca e apreensão da mesma operação, realizada pela Polícia Civil do estado. Na mesma data, a Justiça decretou a prisão preventiva de Natacha, que ficou detida no presídio feminino de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, pelo período de quatro meses.

Movimentações Financeiras Suspeitas

O Ministério Público do Rio Grande do Norte, que compartilhou provas e informações com o MP-SP, indicou que Natacha fazia parte do núcleo denominado "Grupo Valdeci – Parentes e Pessoas Próximas". Este grupo teria a função específica de movimentar e ocultar valores ilícitos provenientes das atividades do líder do PCC.

De acordo com dados da promotoria, no período compreendido entre 2014 e 2024, Natacha Horana movimentou um montante total de R$ 15,02 milhões em transações de crédito e débito. Os promotores destacam que esses valores apresentaram um aumento significativo e abrupto entre os anos de 2021 e 2023, intervalo temporal em que Valdeci Alves dos Santos estava foragido da Justiça, mas continuava a comandar atividades criminosas do PCC.

Os valores movimentados são considerados incompatíveis com os ganhos profissionais de Natacha como bailarina e influenciadora digital. Após a prisão de Colorido, as movimentações financeiras da acusada teriam retornado aos padrões anteriores, conforme detalhado na denúncia.

Além do automóvel de luxo, a investigação aponta que Natacha e sua mãe teriam recebido mais de R$ 246 mil de integrantes do chamado "Grupo Pará", que também auxiliava na ocultação de dinheiro de origem criminosa ligada a Valdeci.

Declarações de Inocência

Em entrevista concedida ao portal g1 antes do carnaval de 2026, Natacha Horana reafirmou sua inocência perante as acusações. Ela relatou que, na época em que conheceu Valdeci, ele se apresentava com um nome diferente e alegava ser proprietário de fazendas de gado, ocultando sua real identidade e atividades ilícitas.

"Eu não cometi nenhum crime. Eles estão me associando com isso, mas meu advogado está provando a minha inocência. Fui solta porque eles não tinham prova suficiente para me manter presa. Infelizmente a Justiça demora, mas eu confio que ela vai ser feita", declarou a influenciadora no início do mês de fevereiro.

O caso segue sob análise da Justiça, enquanto a defesa de Natacha Horana aguarda o andamento processual para contestar formalmente as acusações apresentadas pelo Ministério Público de São Paulo.