Minotauro: Imagens e áudios exclusivos revelam ação de assaltantes de mansões em São Paulo
Conhecido como Minotauro, um dos integrantes de uma quadrilha especializada em invadir mansões em São Paulo aparece em gravações exclusivas planejando novos crimes mesmo após o avanço das investigações policiais. Em um dos áudios exibidos no programa Fantástico, ele fala em realizar um "arrastãozinho num predinho", demonstrando a continuidade das atividades criminosas.
Trajetória criminosa e crescimento dentro do crime
Identificado como Diego Fernandes, o Minotauro teve uma trajetória de ascensão dentro do mundo do crime, segundo informações da polícia. "Ele começou por baixo, numa escalada criminosa, lichando cadeados para poder furtar as casas", afirmou o delegado Fábio Sandrini. "Posteriormente, vendo que os comparsas obtinham um lucro maior, ele acabou optando então para montar a sua própria quadrilha."
Mesmo com parte do grupo sendo preso, ele continuava planejando ações criminosas. Em uma gravação obtida pela polícia, o suspeito revela: "Só eu escondidinho, quietinho, esperando a poeira baixar um pouco, né, pai?". Em seguida, completa com determinação: "Vai fazer um arrastãozinho num predinho."
Prisão e colaboração com as investigações
Minotauro foi preso em setembro do ano passado em uma operação policial. Ao ser abordado pelos agentes, admitiu a derrota de forma resignada: "Perdi, senhor. Perdi." Após a prisão, ele colaborou com as investigações e indicou à polícia o paradeiro de parte dos objetos roubados pelo grupo criminoso.
Entre os itens recuperados estavam obras de arte de alto valor, incluindo quadros do renomado pintor Alfredo Volpi, que haviam sido levados da casa de um colecionador. Segundo os investigadores, Minotauro tentou vender as peças valiosas, mas não conseguiu devido ao alto valor e à dificuldade de negociação no mercado restrito de arte.
"Ele tentou vender, não conseguiu vender. E aí guardou esses quadros porque tinham um valor muito alto, porém o mercado é muito restrito", explicou um dos investigadores envolvidos no caso.
Método sofisticado de atuação
Antes de executar os crimes, a quadrilha realizava um levantamento minucioso dos alvos. De acordo com as investigações, os criminosos utilizavam tecnologias avançadas como drones, pesquisas detalhadas e observação direta para escolher as casas mais vulneráveis.
"Eles tinham um modus operandi de fazer um levantamento prévio das pessoas e dos imóveis", detalhou o delegado Sandrini. Conversas interceptadas pela polícia mostram como o grupo analisava cuidadosamente detalhes das residências, incluindo sistemas de câmeras de segurança, presença de guaritas e acessos laterais.
Em um dos áudios, um dos criminosos comenta sobre uma potencial vítima: "Essa daí tem cheiro de riqueza, dá para ver pela quantidade de guarita."
Sistema de monitoramento 24 horas
Depois da análise inicial à distância, entravam em ação os chamados "olheiros", responsáveis por confirmar as informações de perto. Em uma das ruas monitoradas pela quadrilha, os criminosos foram além: instalaram uma câmera em um poste, conectada à internet, para acompanhar a movimentação das vítimas 24 horas por dia.
Com todas as informações em mãos, o grupo partia para a ação. Em um dos casos relatados, um integrante se passou por entregador para abrir caminho. Meia hora depois, os comparsas chegaram e encontraram o acesso liberado à residência.
Vítimas relatam trauma irreversível
A casa invadida pertencia a uma joalheira que prefere não se identificar. Ela e seu filho foram rendidos durante a madrugada pelos criminosos. "Fomos dormir como se fosse um dia normal. Aí, três e pouco da manhã, tinham três homens na porta do meu quarto, com arma apontada na cabeça do meu filho", relatou a vítima.
Os criminosos já sabiam exatamente o que procurar. "Me entrega tudo, eu preciso da mala", disseram à joalheira, referindo-se a uma mala com joias usadas em seu trabalho. "Era o estoque inteiro de muitos anos. Acho irreversível esse trauma. Você percebe que não tem controle de nada dentro da sua casa", afirmou emocionada.
Resultados da operação policial
Além das prisões realizadas, a polícia apreendeu diversos itens utilizados pela quadrilha, incluindo carros blindados, armas de fogo e desmontou completamente o sofisticado sistema de monitoramento usado pelo grupo criminoso. A colaboração de Minotauro após sua prisão ajudou a recuperar parte dos bens roubados e avançar significativamente nas investigações sobre a quadrilha, que é suspeita de uma série de invasões a casas de alto padrão em São Paulo.
A defesa de Diego Fernandes, o Minotauro, afirma que ele está à disposição da Justiça e que já obteve decisões favoráveis em ao menos dois processos judiciais. O caso continua sob investigação, com novas descobertas sendo analisadas pelas autoridades policiais.



