Ex-presidente do Rioprevidência atribui investimento de R$ 970 milhões no Master a diretor
Ex-presidente do Rioprevidência culpa diretor por investimento no Master

Ex-presidente do Rioprevidência atribui a diretor proposta de investimento bilionário no Banco Master

Em depoimento à Polícia Federal realizado no dia 3 de fevereiro deste ano, o ex-presidente da Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes, afirmou que a proposta para o investimento de R$ 970 milhões em Letras Financeiras do Banco Master foi feita pelo então diretor de investimentos da autarquia, Euchério Lerner Rodrigues. O valor representa um aporte significativo dos recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões de servidores públicos do estado do Rio de Janeiro.

Detalhes do depoimento e processo de investimento

Deivis explicou tecnicamente como funcionava o processo de investimentos na autarquia: "Esse investimento é proposto pela Diretoria de Investimentos. A diretoria faz a proposição do investimento, e aí o investimento é feito, e o diretor de investimentos faz o encaminhamento, e eu assino juntamente com ele o investimento". Questionado especificamente sobre quem indicou os investimentos no Banco Master, o ex-presidente confirmou que foi Euchério, que assumiu o cargo em outubro de 2023, alguns meses após a posse de Deivis em julho do mesmo ano.

O ex-presidente também detalhou o sistema de assinaturas utilizado na autarquia, justificando a prática de assinar em blocos: "Todas elas são assinadas em bloco, porque senão, só um exemplo, seriam 400, 500, 600 assinaturas num dia, porque é um absurdo, o volume é muito grande. A gente paga, além de todos os contratos, 260 mil aposentadorias e pensões".

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Defesa e questionamentos sobre a escolha do Banco Master

Quando questionado pelo delegado da PF sobre por que foi escolhido especificamente o Banco Master para os investimentos, Deivis argumentou que o Regime Próprio de Previdência Social não tinha condições de detectar problemas que até mesmo o Banco Central teve dificuldade em identificar. "O Tribunal de Contas, eu lembro que na época, falou assim, tinha que fazer análise reputacional dos sócios. Não era obrigação", afirmou o ex-presidente, sugerindo que a autarquia operava dentro dos limites legais estabelecidos.

Em outro momento crucial do depoimento, o delegado quis saber se Deivis recebeu propina direta ou indiretamente pelos investimentos realizados no Master. A resposta foi categórica: "Não. Nenhum", disse o ex-presidente do Rioprevidência.

Contexto político e indicação para o cargo

Deivis negou que sua indicação para a presidência da autarquia tenha sido política, contradizendo informações de fontes ouvidas pelo blog que apontavam que a indicação teria partido de Antônio Rueda, presidente do União Brasil. O ex-governador Cláudio Castro (PL), quando questionado sobre o assunto, disse não se lembrar quem indicou o nome de Deivis: "Posso ter consultado Rueda, mas não foi ele. Eu tinha 500 indicações", afirmou Castro.

O Rioprevidência é responsável pelo pagamento de 235 mil servidores públicos estaduais aposentados e pensionistas do estado do Rio de Janeiro, tornando a gestão desses recursos de extrema importância para a segurança financeira de milhares de famílias.

Operação policial e situação atual

O depoimento ocorreu após Deivis ter sido preso na Rodovia Presidente Dutra, na altura de Itatiaia, no Sul do Rio de Janeiro. Ele havia retornado dos Estados Unidos pelo Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, e alugado um carro para voltar ao Rio, onde mora. Testemunhas já haviam revelado anteriormente que os aportes do Rioprevidência no Banco Master cresceram sete vezes em um ano sem o aval do comitê de investimentos.

Procurado pelo blog para se manifestar sobre as acusações, Euchério Lerner Rodrigues, o diretor de investimentos citado no depoimento, não se pronunciou até a última atualização da matéria. A investigação continua apurando todos os detalhes desse caso que envolve recursos públicos de grande magnitude.

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