Torcida do Palmeiras assume responsabilidade por emboscada fatal contra rivais do Cruzeiro
A torcida organizada Mancha Alviverde, da Sociedade Esportiva Palmeiras, assinou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com o Ministério Público de São Paulo e deverá pagar uma indenização de pelo menos R$ 2 milhões à família de José Victor Miranda, cruzeirense de 30 anos morto durante uma emboscada em outubro de 2024. O ataque ocorreu no km 65 da Rodovia Federal Fernão Dias, em Mairiporã, quando torcedores do Cruzeiro retornavam do Paraná após uma partida do Campeonato Brasileiro.
Acordo histórico com obrigações de transparência
Por meio da Promotoria de Justiça de Mairiporã e do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO), a Mancha Alviverde assumiu a responsabilidade civil pelos danos do episódio. Como condição para manter suas atividades e retornar aos estádios, a torcida deverá cumprir obrigações de transparência inéditas, incluindo o envio periódico de listagens atualizadas de todos os associados às autoridades e a obrigatoriedade de informar órgãos de segurança sobre deslocamentos e comboios organizados.
O Ministério Público destacou que o TAC tem natureza de título executivo extrajudicial e que as responsabilidades nas esferas criminal e administrativa não foram afastadas. Além da morte de José Victor Miranda, outros 15 cruzeirenses ficaram feridos no ataque, um ônibus foi incendiado e outro depredado.
Investigação policial e acusações graves
Quando o crime completou um ano, a Polícia Civil ainda procurava 18 palmeirenses acusados de participar da emboscada, enquanto outros 24 já estavam presos, conforme a Secretaria da Segurança Pública (SSP). Quem tiver informações sobre os foragidos pode ligar para o Disque-Denúncia no telefone 181, sem necessidade de identificação.
De acordo com o GAECO, os agressores usaram paus, pedras, bolas de bilhar, pregos e rojões para atacar os ônibus da Máfia Azul, principal torcida do Cruzeiro. Os veículos foram incendiados e os rivais agredidos violentamente. As duas torcidas tinham uma rixa antiga devido a brigas anteriores.
Os próprios torcedores paulistas filmaram a ação criminosa contra os mineiros e postaram as imagens nas redes sociais, o que auxiliou o Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) na identificação dos agressores.
Palmeirenses que irão a júri e situação dos acusados
Dos 20 palmeirenses que irão a júri, 17 estão presos e três estão foragidos. Eles são acusados pelo GAECO do Ministério Público por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel, perigo comum e uso de recurso que dificultou as defesas das vítimas. Também respondem na Justiça por 15 tentativas de assassinato e por causarem tumulto, conforme a Lei Geral do Esporte.
Situação de alguns dos acusados:
- Jorge Luiz Sampaio Santos: presidente da Mancha na época do ataque, renunciou ao cargo antes de se entregar à polícia e está preso.
- Felipe Mattos dos Santos, o "Fezinho": vice-presidente da Mancha, preso.
- Neilo Ferreira e Silva, o "Lagartixa": torcedor, professor de boxe e muay thai, foragido.
- Cesar Augusto Pinheiro Melo e Renato Mendes da Silva: torcedores foragidos; Cesar também responde por adulterar placas de um carro usado no crime.
- Lucas Henrique Zanin dos Santos: torcedor preso, também responde por adulteração de placas de veículo.
O caso expõe a violência no futebol brasileiro e as medidas rigorosas adotadas pelo poder público para combater o crime organizado entre torcidas, com consequências civis, criminais e administrativas para os envolvidos.
