Operação Fim de Carreira: 12 presos e 2 toneladas de cocaína em 'mocós'
Grupo de tráfico interestadual condenado em Rondônia

Uma organização criminosa especializada no transporte interestadual de drogas, utilizando compartimentos secretos conhecidos como "mocós" em caminhões, foi condenada pelo Tribunal de Justiça de Rondônia (TJ-RO). O desfecho judicial é o resultado da Operação Fim de Carreira, deflagrada pela Polícia Federal.

O esquema criminoso e a atuação da polícia

A investigação, que durou mais de um ano, focou na atuação do grupo nos estados de Rondônia, Mato Grosso e Goiás. A PF identificou que a quadrilha escondia grandes quantidades de cocaína em compartimentos secretos construídos em caminhões e carretas. Esses "mocós" permitiam o transporte seguro das drogas pelas rodovias brasileiras, de Rondônia para outros estados.

Durante as investigações, foram contabilizadas pelo menos 10 remessas de cocaína, totalizando a impressionante marca de mais de duas toneladas da droga. Diversas cargas foram interceptadas e motoristas presos em flagrante ao longo da operação.

A ação policial culminou com uma operação de grande porte em Rondônia e Goiás, onde 12 pessoas foram presas e teve 62 mandados judiciais cumpridos. As cidades alvo foram Porto Velho, Guajará-Mirim, Ariquemes e Jaru, em Rondônia, e Goiânia, em Goiás.

Bens apreendidos e lavagem de dinheiro

Além das drogas, a operação resultou na apreensão de uma série de bens de alto valor, indicativos da lucratividade do esquema. Foram confiscados veículos de luxo, motos aquáticas, joias, armas e R$ 10 mil em espécie.

O Ministério Público de Rondônia (MP-RO) demonstrou em juízo como o grupo movimentava o dinheiro do tráfico. Eles utilizavam contas bancárias de empresas e de pessoas físicas para lavar os capitais e, com os recursos ilícitos, adquiriam os bens de luxo. Como parte das medidas cautelares, duas empresas tiveram as contas bloqueadas, assim como as contas de seis investigados.

O julgamento e as condenações

O processo, que envolveu 24 réus e teve como base um inquérito da PF, analisou um volumoso conjunto probatório. O TJ-RO examinou mais de 8 mil páginas de provas, que incluíam relatórios policiais, interceptações telefônicas, dados telemáticos e quebras de sigilo.

O MP-RO denunciou os acusados pelos crimes de organização criminosa, lavagem de capitais e cinco episódios específicos de tráfico de drogas. As condenações foram as seguintes:

Organização criminosa: Seis réus foram condenados a 3 anos de prisão e 30 dias-multa. Outros cinco foram absolvidos dessa acusação.

Lavagem de capitais: Cinco réus receberam pena de 3 anos de prisão e 30 dias-multa. Uma ré foi absolvida.

Tráfico de drogas: Nos cinco episódios analisados, houve um misto de absolvições e condenações. As penas para os condenados por tráfico variaram entre 8 anos e 2 meses e 9 anos e 7 meses de prisão. As sentenças já incorporaram aumentos pela prática interestadual do crime e, em um caso, pelo reconhecimento de continuidade delitiva. Multas proporcionais também foram aplicadas.

As identidades dos acusados, tanto dos condenados quanto dos absolvidos, não foram divulgadas pelo tribunal.