Operação desmantela esquema de golpe milionário contra espólio do fundador da Unip
O Ministério Público de São Paulo e a Polícia Civil realizaram nesta quinta-feira, 31 de outubro, uma ampla operação para desarticular um grupo criminoso suspeito de tentar aplicar um golpe de impressionantes R$ 845 milhões contra o espólio do empresário e educador João Carlos Di Genio, fundador do renomado grupo Unip/Objetivo. A ação, que mobilizou diversas forças de segurança, resultou na emissão de nove mandados de prisão e quinze mandados de busca e apreensão, com execução nas cidades de Jandira, Guarulhos, Barueri e na capital paulista.
Esquema sofisticado envolvia falsificação e arbitragem fictícia
Segundo as investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) e pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), os investigados montaram um elaborado esquema que simulava processos de arbitragem para dar aparência de legalidade à cobrança fraudulenta. Os criminosos teriam falsificado um contrato de compra e venda de imóveis, incluindo uma assinatura falsa de João Carlos Di Genio, datando o documento de três meses antes do falecimento do empresário, ocorrido em fevereiro de 2022.
Para validar a cobrança milionária, os suspeitos utilizaram uma entidade denominada Fonamsp (Fórum de Negócios e Finanças Internacionais e Nacionais por Arbitragem e Mediação Ltda), que se apresentava como câmara arbitral mas era completamente fictícia. Essa "câmara arbitral fictícia" é uma estrutura fraudulenta que simula decisões legais para cobrar dívidas inexistentes ou pressionar vítimas a pagar valores indevidos, conforme explicaram as autoridades.
Procedimento fraudulento com testemunhas inexistentes
A investigação detalhou que o procedimento arbitral foi montado com depoimentos de testemunhas que não existiam na realidade e assinaturas adulteradas, criando assim uma suposta dívida sem que a família do falecido empresário tivesse qualquer conhecimento sobre o assunto. Entre os principais alvos da operação estão Luiz Teixeira da Silva Junior e Anani Candido de Lara, indivíduos ligados à Colonizadora Planalto Paulista e à própria câmara arbitral fictícia.
De acordo com a promotoria, o grupo criminoso tentou cobrar a dívida diretamente no processo de inventário de João Carlos Di Genio, apresentando documentos falsificados perante a Justiça. O valor inicial da fraude, que seria de R$ 635 milhões, foi posteriormente atualizado pelos próprios investigados para mais de R$ 845 milhões, demonstrando a audácia do esquema.
Crimes investigados e alcance da operação
As nove pessoas investigadas enfrentam acusações de crimes como estelionato qualificado, falsificação de documentos públicos e privados, e fraude processual. A operação representa um significativo golpe contra organizações criminosas que se especializam em fraudes de grande porte contra espólios e heranças de figuras públicas e empresariais.
A defesa dos investigados não foi localizada pela reportagem da TV Globo até o momento da última atualização desta matéria. As autoridades continuam trabalhando para apurar todos os detalhes do esquema e garantir que todos os envolvidos sejam responsabilizados judicialmente pelos crimes cometidos contra a memória e o patrimônio do fundador da Unip.



