Polícia apreende drones usados por milicianos para coordenar ataques e monitorar rivais no Rio
Drones de milicianos apreendidos pela polícia no Rio de Janeiro

Polícia apreende drones utilizados por milicianos em confrontos violentos no Rio

Imagens exclusivas obtidas pela TV Globo revelam como milicianos vêm empregando drones de maneira estratégica para monitorar rivais, planejar ataques e acompanhar ações criminosas em áreas da Zona Oeste e da Região Metropolitana do Rio de Janeiro. Os vídeos, que foram apreendidos pela Polícia Civil, registram confrontos armados intensos, perseguições violentas e até mesmo execuções, evidenciando o uso da tecnologia como ferramenta central na disputa sangrenta por território entre grupos criminosos organizados.

Delegado detalha funcionamento operacional dos equipamentos

“Eles utilizam esse drone para saber a localização exata, aonde estão os rivais posicionados, e também escolher o momento preciso para que eles atuem nesse território. Em tempo real, fazem a comunicação direta com os narcosmilicianos que estão invadindo o território”, explicou o delegado Jefferson Ferreira, destacando a sofisticação do método criminoso. A investigação conduzida pela Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco) aponta que os drones eram utilizados não apenas para registrar as ações, mas principalmente para orientar os ataques em tempo real, aumentando significativamente a letalidade das investidas.

Ataque brutal flagrado em Paciência com detalhes chocantes

Um dos vídeos apreendidos mostra um ataque ocorrido no dia 11 de fevereiro, às 6h22 da manhã, em Manguariba, na região de Paciência, Zona Oeste do Rio. Nas imagens gravadas pelo drone operado pela própria quadrilha de milicianos, quatro homens fortemente armados se posicionam em uma rua que havia sido bloqueada por um carro. Em seguida, outro grupo chega atirando indiscriminadamente. Durante a ação criminosa, uma mulher que tentava fugir do local é atropelada violentamente e arremessada na calçada. O veículo ainda atinge uma motocicleta antes de parar completamente. A vítima infelizmente faleceu no local, conforme confirmado pelas autoridades policiais.

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Execução sumária registrada em Vargem Pequena durante a madrugada

Outro vídeo, gravado na comunidade Novo Palmares, em Vargem Pequena, também na Zona Oeste, mostra um cerco organizado a um carro durante a madrugada. Ao longo de aproximadamente dois minutos, diversos disparos são efetuados contra o veículo. Dois homens conseguem escapar milagrosamente, mas um terceiro é atingido mortalmente. Após o ataque, criminosos armados com fuzis de alto poder se aproximam do carro onde a vítima está morta, demonstrando total frieza diante da cena. As imagens foram captadas pelo drone operado pela quadrilha, segundo as investigações em andamento.

Monitoramento em tempo real de rivais e forças policiais

De acordo com a Draco, os drones eram usados sistematicamente não apenas para registrar ações criminosas, mas para orientar os ataques em tempo real com precisão militar. A investigação aponta que o grupo ligado ao miliciano Gilson Ingrácio de Souza Junior utilizava a tecnologia avançada para vigiar rivais constantemente e coordenar incursões em comboios. Além disso, os equipamentos também eram empregados para monitorar movimentações das polícias Civil e Militar, buscando antecipar operações policiais. Os registros apreendidos mostram uma disputa violenta entre grupos rivais que já dura pelo menos sete meses na região.

Conflito territorial entre organizações criminosas rivais

“De um lado temos uma organização que domina atualmente, tentando manter o controle sobre a região de Campo Grande, Santa Cruz e Paciência. Do outro lado, a organização criminosa rival tenta avançar a partir de Nova Iguaçu e Seropédica, indo em direção a Santa Cruz e Itaguaí, enquanto a primeira tenta se manter no território”, afirmou o delegado responsável pelas investigações, detalhando a geografia do conflito. A violência tem se intensificado com o uso da tecnologia, que permite maior controle territorial e eficiência nos ataques.

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Apreensão dos equipamentos e análise das imagens

Durante uma operação policial recente, agentes prenderam dois integrantes da quadrilha e apreenderam dois drones modernos. Os equipamentos armazenavam imagens gravadas principalmente durante o mês de fevereiro, que agora serão minuciosamente analisadas pelos peritos. “Vamos investigar essas imagens detalhadamente para identificar os crimes concretos que estão ali sendo praticados, incluindo homicídios e tentativas de homicídio. E também para mapear essas duas organizações criminosas em conflito”, declarou o delegado. As investigações indicam que o uso de drones já faz parte da rotina operacional dessas organizações criminosas, representando um novo patamar de periculosidade.

Tecnologia como ferramenta de ampliação do crime organizado

A tecnologia tem sido utilizada estrategicamente para ampliar o controle territorial ilegal, aumentar drasticamente a eficiência dos ataques coordenados e reduzir os riscos para os próprios criminosos durante as ações. Os drones permitem monitoramento aéreo que era anteriormente impossível para essas organizações, mudando completamente a dinâmica dos conflitos nas comunidades. A polícia alerta que essa inovação tecnológica no crime representa um desafio adicional para as forças de segurança, exigindo novas estratégias de combate ao crime organizado na cidade do Rio de Janeiro.