Polícia mira chefia do CV especializada em explosões de caixas e roubos milionários
CV: grupo explodia caixas e roubava mansões; polícia prende 7

Operação policial desarticula facção do CV especializada em crimes de alto padrão

A Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE) deflagrou uma operação de grande porte nesta quarta-feira (25) visando um grupo do Comando Vermelho (CV) que se especializou em explodir caixas eletrônicos e realizar roubos a residências de luxo. As ações ocorreram simultaneamente no Rio de Janeiro e em Santa Catarina, resultando na prisão de sete integrantes da quadrilha, enquanto o suposto líder, Eduardo Lima Franco, conhecido como Dudu, permanece foragido.

Estrutura criminosa e divisão de funções

Segundo as investigações, que se estenderam por meses, Dudu atuava como o cérebro da organização, sendo responsável pela seleção das vítimas, financiamento da logística operacional e distribuição dos lucros obtidos. O grupo contava com a expertise de Augusto Leopoldo Vargas, preso em Joinville (SC), apontado como especialista em abertura de cofres utilizando maçaricos, considerado o braço direito do líder.

"Quer um trampo melhor que esse, Vargas? Tem tudo já, todas as informações, coisa de maluco. Dólar, euro, anel de diamante. Só pacotezinho de dólar, de 50 e de 100", disse Dudu em conversa telefônica interceptada pela polícia, referindo-se a um plano de roubo em Ipanema, na Zona Sul do Rio. A quadrilha recebia suporte de narcotraficantes do Rio, que forneciam veículos roubados para fugas, ferramentas para explosões e locais para abrigo.

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Lavagem de dinheiro e envolvimento policial

As apurações revelaram que, em um período de cinco anos, a organização movimentou aproximadamente R$ 30 milhões, utilizando contas de pessoas físicas e jurídicas para ocultar a origem ilícita dos recursos. Parte significativa do dinheiro era lavada em uma joalheria localizada em Niterói, alvo de mandado de busca e apreensão durante a operação.

Um aspecto alarmante descoberto foi o envolvimento de um policial militar lotado no 19º BPM de Copacabana, identificado como Jefferson Vieira do Nascimento. O agente, que já se encontrava encarcerado por participação em um roubo a caixa eletrônico, fornecia escolta e segurança durante os furtos e operações de lavagem de dinheiro. "Ele dava apoio de vigilância e segurança nos furtos e na lavagem de dinheiro", afirmou o delegado Jefferson Ferreira, responsável pelo caso.

Histórico criminal e continuidade das investigações

Eduardo Lima Franco e Augusto Leopoldo Vargas já haviam sido alvos de medidas cautelares no ano passado, evidenciando a persistência das atividades criminosas. A polícia enfatiza que a operação visa desmantelar completamente a estrutura, que operava com alto nível de sofisticação e conexões interestaduais. As buscas por Dudu e outros nove procurados continuam ativas, com agentes mobilizados em ambas as unidades federativas.

Este caso ilustra a complexidade e o alcance das organizações criminosas no Brasil, que diversificam suas ações para incluir crimes patrimoniais de grande monta, além do tráfico de drogas tradicional. A colaboração entre polícias de diferentes estados e o uso de interceptações telefônicas foram cruciais para o avanço das investigações, que agora buscam responsabilizar todos os envolvidos e recuperar parte dos valores desviados.

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