Chefe preso em MS comandava envio de drogas para o Paraná em operação policial
A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul realizou nesta quarta-feira, 25 de setembro, uma série de mandados de busca e apreensão em Campo Grande, como parte da Operação "Matrioska". A ação investiga uma organização criminosa envolvida em tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, com o líder do grupo comandando o esquema diretamente de dentro do Presídio de Segurança Máxima do estado.
Coordenação interestadual e apoio policial
A operação foi coordenada pela Polícia Civil do Paraná, contando com o apoio crucial do Departamento de Repressão à Corrupção e ao Crime Organizado (DRACCO), responsável pelo cumprimento dos mandados em Campo Grande. As investigações revelaram que, mesmo preso, o chefe mantinha controle total sobre as atividades criminosas, definindo rotas de transporte, coordenando a distribuição de drogas e gerenciando o dinheiro obtido ilegalmente.
Detalhes do esquema criminoso
Segundo as apurações, o grupo transportava drogas de Mato Grosso do Sul para o Paraná, com foco principal na cidade de Pato Branco. O método utilizado envolvia mulheres que viajavam em ônibus de linha, muitas vezes acompanhadas de seus filhos, em uma tentativa de evitar suspeitas. Além do tráfico de crack e cocaína, o esquema incluía lavagem de dinheiro, utilizando contas bancárias de terceiros, conhecidos como "laranjas", para ocultar a origem ilícita dos valores.
Ações policiais e apreensões
Durante a operação, o DRACCO conduziu buscas dentro da cela do detento em Mato Grosso do Sul, com apoio de policiais penais e do Grupo de Intervenção e Segurança Prisional (GISP). Foram apreendidos sete aparelhos de telefone celular, que estão sendo analisados para identificar outros possíveis envolvidos. A Justiça autorizou um total de 24 mandados de prisão preventiva e 34 mandados de busca e apreensão, além do bloqueio de bens e contas bancárias.
Origem das investigações e capturas
As investigações tiveram início em agosto de 2025, após a prisão de uma mulher flagrada com mais de dois quilos de crack em um ônibus no Paraná. A partir desse caso, a polícia identificou uma estrutura organizada com divisão clara de funções. Durante as diligências, foram localizadas duas pessoas foragidas com mandados de prisão em aberto, e outras três foram capturadas em flagrante por tráfico de drogas. Um adolescente também foi detido por ato infracional análogo ao crime de tráfico de entorpecentes.
Significado do nome "Matrioska" e abrangência da operação
O nome "Matrioska" faz referência à boneca russa que guarda outras menores dentro dela, simbolizando a estrutura em camadas da organização criminosa. Os mandados foram cumpridos em múltiplos estados, incluindo o Paraná (em cidades como Pato Branco, Clevelândia, Mariópolis, Cascavel e Quedas do Iguaçu), Santa Catarina (Concórdia) e Mato Grosso do Sul (Campo Grande). A polícia continua analisando o material apreendido para desmantelar completamente o esquema.



