Polícia prende chefe do PCC acusado de mandar matar ex-delegado-geral de SP
Chefe do PCC preso por morte de ex-delegado-geral de SP

A Polícia Civil de São Paulo realizou uma operação nesta terça-feira, 13 de janeiro de 2026, que resultou na prisão de três homens acusados de envolvimento direto no assassinato do ex-delegado-geral da corporação, Ruy Ferraz Fontes. O crime, classificado como uma execução, aconteceu em setembro do ano passado na cidade de Praia Grande, no litoral paulista.

Os detidos e suas supostas funções no crime

Entre os presos está Fernando Alberto Ribeiro Teixeira, conhecido como "Azul", apontado pelas investigações como um dos chefes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC) e considerado o mandante do homicídio. Os outros dois detidos são Marcio Serapião de Oliveira, o "Velhote", e Manoel Alberto Ribeiro Teixeira, o "Manezinho". Ambos teriam vínculos com a mesma facção e atuado na logística para a realização do crime.

A operação policial também cumpriu mandados de busca e apreensão. As investigações que levaram às prisões se basearam em um minucioso trabalho de mapeamento das relações entre faccionados, análise de aparelhos celulares apreendidos e de impressões digitais coletadas na cena do crime.

Os detalhes da emboscada fatal

Ruy Ferraz Fontes foi morto em uma emboscada nas ruas de Praia Grande. Na ocasião, ele era secretário municipal de Administração do município, já aposentado da polícia. De acordo com as reconstituições, o ex-delegado foi perseguido e seu veículo colidiu com dois ônibus. Imediatamente após a colisão, três homens fortemente armados desceram de outro carro e efetuaram vários disparos contra ele, consumando a execução.

Fontes tinha uma longa e destacada trajetória na Polícia Civil de São Paulo, com cerca de quarenta anos de serviço. Ele foi um dos primeiros policiais a investigar a atuação do PCC no estado. Sua carreira incluiu passagens por delegacias especializadas, como a Divisão de Homicídios (DHPP), o Departamento Estadual de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) e o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic).

A motivação: uma vingança do PCC

Segundo informações do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) que remontam a 2019, a facção PCC havia decretado a morte de Ruy Ferraz Fontes. A motivação principal seria vingança pelas transferências de integrantes da cúpula do crime organizado de presídios paulistas para o regime federal, medidas que teriam sido promovidas pelo ex-delegado durante sua atuação.

A prisão dos três acusados representa um avanço significativo nas investigações sobre este crime que chocou o estado. O caso expõe a violência do conflito entre o Estado e a facção PCC e a persistência de ameaças contra agentes públicos que atuaram no combate ao crime organizado, mesmo após sua aposentadoria.