Chefe de facção condenada a quase 100 anos por homicídios é alvo de operação em Mato Grosso
A chefe de facção criminosa Angélica Saraiva de Sá, de 34 anos, conhecida pelo apelido de Angeliquinha, foi condenada a 99 anos e 11 meses de prisão em regime fechado pelas mortes de quatro trabalhadores em Nova Monte Verde, a 920 km de Cuiabá, em 2022. A sentença foi aplicada pelos crimes de homicídio qualificado e ocultação de cadáver, além de integrar uma organização criminosa.
Operação Showdown investiga tráfico e lavagem de dinheiro
Nesta quinta-feira (5), Angélica e membros de sua família foram alvos da Operação Showdown, que investiga crimes de tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e divulgação de jogos de azar nos municípios de Alta Floresta e Nova Bandeirantes, em Mato Grosso. A investigada está foragida desde agosto de 2025, quando fugiu do Presídio Ana Maria do Couto May, na capital, e é considerada uma criminosa de alta periculosidade. Até o momento, ela não foi localizada pela polícia.
Família atua como operadores financeiros do esquema
Segundo a Polícia Civil, além de Angélica, familiares como o pai, a filha da foragida e o marido também foram alvos da operação. Eles são apontados como operadores financeiros do grupo, atuando na lavagem de dinheiro adquirido com o tráfico de drogas administrado pela facção criminosa. Os investigados são suspeitos de movimentar valores incompatíveis com a renda declarada e de administrar empresas utilizadas para dar aparência lícita ao dinheiro obtido de forma ilegal.
Mandados cumpridos e apreensões realizadas
Na ação policial, foram cumpridos:
- Quatro mandados de prisão
- Sete mandados de busca e apreensão
- Seis sequestros de veículos
- Quatro sequestros de imóveis
- Sete bloqueios de contas bancárias
- Três suspensões de pessoa jurídica
Esquema movimentou mais de R$ 20 milhões em um ano e sete meses
A polícia informou que, no período de um ano e sete meses, o grupo teria movimentado mais de R$ 20 milhões relacionados às atividades do tráfico, valores incompatíveis com a renda declarada. O esquema utilizava diversos mecanismos, incluindo:
- Empresas de fachada nos ramos de calçados, beleza e roupas multimarcas
- Plataformas digitais de jogos de azar online, apresentados posteriormente como ganhos legítimos
- Exploração de garimpo irregular na região de Alta Floresta
O pai da chefe da facção seria o responsável por gerenciar o garimpo, um bar e um prostíbulo próximo à cidade de Nova Bandeirantes.
Detalhes da condenação pelos homicídios
Angélica Saraiva de Sá foi condenada pela morte de quatro trabalhadores, identificados como:
- Jefferson Vale Paulino, 27 anos
- Alan Rodrigues Pereira, 36 anos
- João Vitor da Silva, 19 anos
- Caio Paulo da Silva, 31 anos
O Conselho de Sentença reconheceu que o crime foi praticado por motivo torpe, com emprego de meio cruel e mediante recurso que dificultou a defesa das vítimas. A condenação a 99 anos e 11 meses reflete a gravidade dos delitos e a atuação da ré em uma organização criminosa estruturada.



