Cartel mexicano CJNG expande atuação no Brasil há uma década, alerta Abin
A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) vem alertando o governo federal há quase uma década sobre a atuação de cartéis mexicanos de drogas em território brasileiro, com destaque para o temido Cartel Jalisco Nova Geração (CJNG). A recente morte de seu principal líder, Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho, em operação das autoridades mexicanas no domingo, 22 de fevereiro, expõe a dimensão da presença do grupo criminoso no país.
Mercado brasileiro atrai cartéis mexicanos
Um dos principais motivos para a atuação do bando mexicano no Brasil é o mercado nacional de drogas, considerado extremamente atrativo devido ao alto número de usuários de entorpecentes. O CJNG, segundo investigações, atua principalmente com o tráfico de cocaína, anfetamina e fentanil, sendo que a atuação em drogas sintéticas surpreendeu investigadores brasileiros pela sofisticação e escala.
Além do consumo interno, os criminosos mexicanos utilizam o território brasileiro como rota para o envio de drogas aos Estados Unidos, aproveitando-se das vulnerabilidades fronteiriças. A situação se torna ainda mais complexa quando se considera que o Brasil possui mais de 17 mil quilômetros de fronteiras, tornando a fiscalização um desafio logístico considerável. Para comparação, a já problemática divisa entre México e Estados Unidos tem pouco mais de 3.000 quilômetros.
Tríplice Fronteira como polo estratégico
Os criminosos do México estão estabelecidos na Tríplice Fronteira, atuando entre Brasil, Argentina e Paraguai. Investigações internacionais apontam para a reiterada lavagem de dinheiro dos cartéis mexicanos na região, realizada por meio de empresas fictícias e contrabando de mercadorias. Essa atividade transformou a área em um polo estratégico para o crime organizado internacional.
O território continental brasileiro oferece ainda a possibilidade de criminosos buscarem guarida no país contra possíveis investigações internacionais, criando um refúgio seguro para integrantes de organizações criminosas transnacionais.
Morte de líder desencadeia violência no México
A morte de El Mencho desencadeou uma onda de violência em diversas regiões do México, a apenas quatro meses do país receber a Copa do Mundo de 2026, junto com Canadá e Estados Unidos. A resposta do crime organizado seguiu um padrão já conhecido: nas primeiras horas após a confirmação da morte, surgiram bloqueios em rodovias e incêndios de veículos, tática conhecida como "narcobloqueio", utilizada para dificultar a ação das forças de segurança.
Presença consolidada no Brasil
Documentos da Abin já alertavam desde 2018 sobre ações de traficantes mexicanos no Brasil. Reportagem da revista VEJA na edição nº 2960, de 5 de setembro de 2025, mostrou que o Brasil virou campo de atuação de grupos estrangeiros, incluindo dois cartéis mexicanos: o Jalisco Nova Geração e o Sinaloa.
A atuação do CJNG no Brasil representa um desafio significativo para as autoridades brasileiras, exigindo cooperação internacional e estratégias integradas de segurança pública para combater a expansão do crime organizado transnacional em território nacional.