Milícias se espalham pelo Brasil: 15 estados enfrentam processos criminais contra organizações
O Painel Nacional do Crime Organizado, plataforma lançada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), reúne informações cruciais sobre os processos criminais que envolvem a suspeita de criação e atuação de milícias em todo o território nacional. Os dados mais recentes, referentes ao ano de 2025, revelam um cenário alarmante: quinze estados brasileiros possuem ações judiciais relacionadas a essas organizações criminosas.
Rio de Janeiro concentra a maioria dos casos, mas problema se expande
Entre os 555 casos novos distribuídos em 2025, dois terços estão concentrados no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, totalizando 373 processos, o que equivale a 67% do total nacional. Essa predominância reflete a histórica atuação das milícias no estado, como exemplificado pelo controle de comunidades como Rio das Pedras, favela carioca sob domínio desses grupos.
No entanto, os números evidenciam que as milícias não se restringem mais ao Rio. Outros quatorze tribunais estaduais ou do Distrito Federal também registram ações sobre o tema, indicando uma disseminação preocupante pelo país. A segunda unidade da federação com maior número de processos é o Rio Grande do Sul, com 13 casos, seguido por outras regiões que começam a enfrentar o fenômeno.
Abranência nacional inclui tribunais superiores e regionais federais
Além dos tribunais estaduais, os dados do CNJ mostram que o problema alcança instâncias superiores. Há processos relacionados a milícias no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e em quatro dos seis tribunais regionais federais, especificamente nas 1ª, 2ª, 3ª e 4ª regiões. Essa ampla distribuição geográfica e jurídica sublinha a complexidade e a gravidade do combate a essas organizações.
É importante destacar que a classificação de uma ação como envolvendo ou não milícias cabe a cada tribunal, o que pode influenciar a uniformidade dos registros. Apesar disso, o Painel serve como uma ferramenta valiosa para mapear e entender a expansão desses grupos criminosos, fornecendo subsídios para políticas públicas de segurança.
As milícias, originalmente associadas ao Rio de Janeiro, agora representam uma ameaça nacional, exigindo respostas coordenadas e eficazes das autoridades para conter seu avanço e proteger a população.



