Youtuber arquiteta plano elaborado para assassinar namorada grávida e criar álibi falso
O caso chocante do youtuber Stephen McCullagh, que assassinou sua namorada grávida Natalie McNally em dezembro de 2022 e tentou usar uma transmissão pré-gravada no YouTube como álibi, revela um crime friamente calculado que desmoronou durante um julgamento de cinco semanas. McCullagh, de 36 anos, acreditou por mais de um mês que havia escapado da suspeita, mas as evidências apresentadas ao júri expuseram suas mentiras de forma contundente.
O álibi pré-gravado que se tornou evidência
No dia 18 de dezembro de 2022, McCullagh anunciou uma transmissão ao vivo de jogos em seu canal do YouTube, intitulada "Violent Night". A suposta live de seis horas mostrava o youtuber jogando Grand Theft Auto: Vice City e Robot Wars enquanto bebia e comentava para a câmera. Porém, um analista forense digital revelou durante o julgamento que a transmissão havia sido gravada quatro dias antes e foi interrompida às 00h05 do dia 19 de dezembro, momento em que o arquivo foi apagado.
Durante a transmissão falsa, McCullagh cometeu o assassinato. Em trechos exibidos ao júri, enquanto jogava uma missão que exigia matar uma mulher, o youtuber cantou: "Preciso matar essa vadia, preciso acabar com ela". Cerca de dez minutos depois, fez uma referência direta à vítima ao dizer: "Abso-fucking not-ally, abso-fucking Natalie". Essas declarações, junto com uma pausa que mostrava um pôster do filme 007 – Sem Tempo Para Morrer, tornaram-se elementos cruciais na investigação.
A noite do crime brutal
Natalie McNally, com 15 semanas de gestação, havia passado a tarde assistindo à final da Copa do Mundo com a família antes de retornar para sua casa em Lurgan por volta das 19h. Enquanto isso, McCullagh percorreu um trajeto cuidadosamente planejado: caminhou 3,2 km de sua casa em Lisburn até Dunmurry, pegou um ônibus para Lurgan (cerca de 32 km) e depois caminhou mais 2,4 km até a residência da namorada.
Vestindo roupas escuras, luvas e com parte do rosto coberto, McCullagh carregava uma sacola verde de compras. Entre 20h50 e 21h30, ele atacou McNally com extrema violência: a vítima foi esfaqueada, estrangulada e sofreu pelo menos cinco golpes fortes na cabeça.
O retorno meticuloso e as tentativas de encobrimento
Após o crime, McCullagh trocou de roupa e iniciou seu retorno. Câmeras de segurança capturaram imagens de um homem usando chapéu preto e peruca caminhando pelo centro de Lurgan – promotores apresentaram fotos das redes sociais do acusado mostrando-o com itens similares. Ele tentou pegar transporte público, mas chegou atrasado e acabou convencendo um motorista de táxi a levá-lo até sua casa em Lisburn.
Ao chegar, encerrou a transmissão pré-gravada e apagou o arquivo. Em seguida, enviou mensagens para reforçar seu álibi, incluindo uma para uma amiga de McNally, e ainda publicou uma análise em vídeo de um sabre de luz de Star Wars.
A encenação do luto e a queda do castelo de cartas
Na noite seguinte, McCullagh viajou até Lurgan alegando preocupação com a namorada. Ao encontrar o corpo, ligou chorando para o serviço de emergência 999, descrevendo cena de sangue e realizando RCP – tudo encenado, segundo os promotores. Ele acusou um "ex-companheiro abusivo" e mencionou sua transmissão ao vivo como álibi.
A polícia inicialmente aceitou sua versão e o liberou, informando na véspera de Natal que ele não era mais suspeito. Nas seis semanas seguintes, McCullagh interpretou o papel de namorado enlutado: compareceu ao velório, visitou o túmulo, enviou mensagens aos irmãos da vítima e criou um vídeo de homenagem exibido em vigília.
Seu plano começou a desmoronar quando deixou intencionalmente seu telefone na casa da família McNally para gravar conversas privadas. O tribunal descobriu que ele já havia gravado sessão de terapia de ex-companheira anteriormente.
Motivações e condenação
McCullagh não depôs durante o julgamento nem ofereceu explicações, mas o tribunal ouviu que McNally trocava mensagens sexualmente explícitas com outros homens e considerava terminar o relacionamento no Ano Novo. Evidências sugerem que McCullagh acessou o telefone da namorada e leu essas mensagens – ele já tinha histórico de agressão a ex-namorada após ler conversas similares.
O júri considerou as provas irrefutáveis: o trajeto capturado por câmeras, as referências na transmissão falsa, as tentativas de espionagem e a encenação do luto. O que começou como plano meticuloso revelou-se um castelo de cartas que desabou diante da investigação minuciosa, resultando na condenação por assassinato brutal.



