Desembargador vota por medidas cautelares para influenciador Hytalo Santos e marido, mas julgamento é adiado
O desembargador João Benedito, do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), votou pela substituição da prisão preventiva do influenciador Hytalo Santos e do marido dele, Israel Vicente, por medidas cautelares durante a análise de um habeas corpus nesta terça-feira (10). Os dois são réus por produzir conteúdos de exploração sexual com adolescentes e permanecem presos no Presídio do Róger, em João Pessoa, desde agosto de 2025.
Voto do relator e adiamento do julgamento
No voto, o desembargador João Benedito afirmou que as restrições impostas seriam suficientes para atender às necessidades do processo. Entre as medidas cautelares previstas estariam o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de sair dos municípios de João Pessoa e Bayeux e a proibição de manter contato com adolescentes e seus familiares.
No entanto, após o voto do relator, o desembargador Ricardo Vital pediu vistas do processo, o que adiou a conclusão do julgamento para a próxima sessão da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba. Isso significa que a decisão final sobre a possível substituição da prisão preventiva ainda não foi tomada.
Contexto do pedido de habeas corpus
O pedido de habeas corpus analisado aconteceu em separado às solicitações feitas pela defesa em setembro, quando o pedido foi negado, assim como em novembro. A defesa argumentou no novo pedido que existiu demora nos prazos para o estabelecimento de uma sentença e o término da instrução criminal.
Hytalo Santos e Israel Vicente foram presos em São Paulo no dia 15 de agosto do ano passado. Depois, foram transferidos para o Presídio do Róger, em João Pessoa, onde estavam detidos de forma preventiva desde o dia 28 do mesmo mês.
Processos paralelos na Justiça
O processo analisado pelo Tribunal de Justiça corre em paralelo ao da Justiça do Trabalho, onde Hytalo Santos e Israel Vicente também são réus por tráfico de pessoas para exploração sexual e trabalho em condições análogas à escravidão. A complexidade do caso envolve múltiplas frentes judiciais, o que pode explicar parte da demora apontada pela defesa.
Cronologia do caso
O caso ganhou notoriedade pública a partir de denúncias feitas pelo youtuber Felca em 6 de agosto, que levou a uma série de ações judiciais e policiais. Entre os principais eventos estão:
- Busca e apreensão em um condomínio de luxo onde o influenciador mora, no bairro do Portal do Sol.
- Bloqueio de redes sociais do influenciador por decisão da Justiça.
- Proibição de contato com as vítimas adolescentes citadas no processo.
- Desmonetização de conteúdos publicados nas redes sociais.
- Segundo pedido de busca e apreensão autorizado pela Justiça da Paraíba.
- Prisão preventiva de Hytalo Santos e do marido em Carapicuíba, na Grande São Paulo.
- Negativa de soltura pelo Tribunal de Justiça da Paraíba.
- Bloqueio de bens no valor de até R$ 20 milhões pela Justiça do Trabalho.
- Transferência do casal para o presídio do Roger, em João Pessoa.
- Transformação em réus por produção de conteúdos de exploração sexual envolvendo adolescentes.
- Transformação em réus na Justiça do Trabalho por tráfico de pessoas e trabalho análogo à escravidão.
O caso continua em andamento, com a próxima sessão da Câmara Criminal do TJPB sendo aguardada para definir o destino das medidas cautelares propostas pelo desembargador João Benedito.



