Um vendedor ambulante de Araguaína, no Tocantins, recuperou a liberdade depois de passar um mês atrás das grades devido a um erro de identificação. Osmar Sousa Figueiredo, de 38 anos, foi preso em casa no dia 11 de dezembro de 2025, acusado de um homicídio ocorrido em Goiânia em 2019, crime que alega nunca ter cometido e de uma cidade que diz não conhecer.
Um mês de vida interrompida
A prisão preventiva foi revogada pela Justiça de Goiás, que expediu um alvará de soltura no dia 8 de janeiro. Osmar foi libertado no dia 10 de janeiro de 2026, mas os 30 dias de detenção ilegítima deixaram marcas profundas. Em depoimento, o vendedor relatou estar se sentindo confuso e com dificuldades para retomar a rotina.
"Estou me sentindo um pouco ainda meio confuso pelo que eu passei, tentando me adaptar de novo. Porque foram 30 dias lá, né? A pessoa sai meio com uns transtornos. Estou tentando me reabilitar ao que eu era antes, que não é fácil", desabafou Osmar, que ganha a vida vendendo meias e outros produtos nas ruas de Araguaína.
A origem do erro e a busca pelo verdadeiro culpado
De acordo com o advogado Fabrício Martins, que assumiu o caso de forma gratuita, o equívoco ocorreu porque um criminoso usou os dados pessoais de Osmar ao se apresentar em uma delegacia da Polícia Civil em Rio Verde (GO), em maio de 2019. Essa falsificação fez com que o mandado de prisão fosse emitido em nome do inocente vendedor.
"Nenhum servidor público ou autoridade atentou-se para a evidente falsificação documental, fazendo com que equivocadamente o senhor Osmar fosse preso", afirmou o advogado. O Tribunal de Justiça de Goiás determinou o arquivamento do processo e ordenou novas diligências para identificar e prender o verdadeiro suspeito do assassinato.
Constrangimento e a luta para retomar a vida
Longe dos cadeados, Osmar agora enfrenta o preconceito e o constrangimento no dia a dia. Ele relata que virou alvo de perguntas e piadas nas ruas da cidade, o que tem dificultado seu processo de reintegração à sociedade.
"São muitas perguntas que o pessoal para na rua para me perguntar. E eu evito ficar na rua falando... Tentar me reabilitar na sociedade, mesmo sabendo que eu não devo, mas a gente passa por discriminação em certos pontos", lamentou.
O caso expõe uma grave falha no sistema. A 4ª Vara Criminal dos Crimes Dolosos contra a Vida de Goiás, responsável pela decisão da soltura, determinou expressamente que a Polícia Civil do estado investigue quem é o real acusado. O g1 solicitou um posicionamento da Secretaria de Segurança Pública de Goiás sobre as falhas no processo, mas não obteve resposta até o fechamento desta matéria.