Velório de Mestre Sabiá, executado em Niterói, tem emocionante roda de capoeira
Velório de Mestre Sabiá tem roda de capoeira em Niterói

Velório de Mestre Sabiá, executado em Niterói, tem emocionante roda de capoeira

As homenagens ao mestre de capoeira Paulo César da Silva Souza, conhecido como Paulinho Sabiá, tomaram proporções internacionais durante seu velório em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. O fundador do grupo Capoeira Brasil, morto a tiros na Quarta-feira de Cinzas, recebeu coroas de flores com nomes de países como Arábia Saudita e Bélgica, demonstrando o alcance global de seu legado na cultura brasileira.

Legado internacional de um símbolo da capoeira

Paulinho Sabiá, que vinha dando aulas em Niterói, passou muitos anos ensinando em Paris, França, onde formou gerações de capoeiristas. Suas excursões e encontros internacionais foram lembrados com carinho por amigos e ex-alunos nas redes sociais, evidenciando seu papel fundamental na expansão da popularidade desta prática que reúne esporte e arte.

Rudge Brasil, conhecido como Formando Marinheiro e representante do Capoeira Brasil em Belo Horizonte, destacou: "Ele era um excelente mestre, educado e gentil com todos. Nesses 28 anos de convívio, sempre foi ético, organizado e preocupado com a evolução da Capoeira. A ficha ainda não caiu pra mim."

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Homenagens emocionadas de mestres e alunos

Entre as palavras usadas para descrever Paulinho Sabiá, destacam-se humildade, educação, sabedoria, ética e seriedade. Toni Vargas, mestre de capoeira do Ilê do Seu Peixinho, no Leme, definiu seu legado como formador de mestres: "Ele deixa um enorme legado, não só pelas pessoas magníficas que formou, mas por uma ideologia de paz, amor e muito respeito pelo nosso povo."

Valdiney Souto dos Santos, o Mestre Geada, professor em São José dos Pinhais, no Paraná, ressaltou: "Um líder que, mesmo com importância incontestável, mantinha-se humilde e atencioso com todos, independente de graduação."

Enterro marcado por roda de capoeira

O corpo do mestre de capoeira, de 65 anos, foi enterrado na sexta-feira no cemitério Parque da Colina, em Niterói. Amigos e alunos realizaram uma emocionante roda de capoeira no velório como última homenagem ao querido professor. Kim Capoeira, que mora atualmente em Fortaleza, expressou seu sentimento com versos: "Hoje a capoeira chora, O berimbau avisa: Mestre Paulinho foi embora. Seu jeito de cantar permanece nas rodas e o seu jeito de jogar. Voa, sabiá, foi embora."

Investigação policial em andamento

A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí investiga os autores e a motivação do crime. A polícia procura imagens e analisa vídeos de câmeras de segurança já em seu poder. A namorada de Paulo César, que estava com ele no momento do crime, já prestou depoimento.

Adriana Possobom, irmã da vítima, lamentou profundamente: "Meu irmão era uma pessoa muito especial, muito querido por todos. Ele não tinha, que a gente soubesse, nenhum desafeto."

Atentado anterior não evitado

Dois dias antes da execução, Paulo César sofreu um atentado a tiros na praia das Flexas. Segundo registro na 77ª DP (Icaraí), um homem se aproximou e colocou uma arma em sua nuca, que estalou três vezes sem disparar, permitindo que ele escapasse ileso. O agressor fugiu em uma moto, mas o caso não foi suficiente para prevenir a tragédia subsequente.

O crime aconteceu a poucos metros da delegacia, levantando questões sobre segurança pública na região. Paulo Cesar da Silva Souza foi atingido por três tiros na execução que encerrou prematuramente a vida de um dos grandes difusores da capoeira brasileira no mundo.

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