Vídeo revela apartamento onde MC Urubuzinho foi preso após baile funk com tiros em Santos
O cantor de funk Elias Quaresma Teodoro, conhecido artisticamente como MC Urubuzinho, foi preso no domingo (15) após sua participação em um baile funk que registrou disparos de arma de fogo durante o período carnavalesco na cidade de Santos, no litoral paulista. Imagens exclusivas obtidas pelo portal g1 nesta segunda-feira (16) mostram detalhes do apartamento onde o artista, de 39 anos, foi detido pela polícia.
Momento anterior à prisão nas redes sociais
Pouco antes de ser preso, MC Urubuzinho publicou uma foto em suas redes sociais, onde aparece sentado em um sofá azul, com uma camiseta cinza cobrindo parte do rosto. A vestimenta era exatamente a mesma que ele usava quando foi abordado por agentes da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Santos. As imagens do apartamento revelam que o sofá azul estava localizado na sala do imóvel, que possui uma janela com vista para os prédios de São Paulo.
O vídeo também mostra a cozinha do local, separada da sala por uma mesa, e o quarto, onde é possível observar um móvel repleto de garrafas de bebidas alcoólicas. Na cama, havia uma mala e diversos outros itens pessoais, indicando que o cantor poderia estar se preparando para viajar ou se mudar.
Baile funk com tiros e referências a facções criminosas
Um vídeo que viralizou nas redes sociais mostra o baile funk realizado no Morro São Bento, em Santos, com uma grande aglomeração de jovens segurando copos com bebidas e alguns portando armas de fogo. Em determinado momento, diversos tiros são disparados por participantes da festa, criando um cenário de pânico e violência.
Nas imagens, MC Urubuzinho aparece cantando ao lado de um homem armado, fazendo alusões a facções criminosas. "Só quem é criminoso sabe essa", declarou o artista, que ainda citou o "Peixão", líder do Terceiro Comando Puro (TCP), facção do tráfico que rivaliza com o Comando Vermelho (CV) nas disputas por território no Rio de Janeiro.
Operação policial e prisão preventiva
De acordo com informações da Polícia Civil, a equipe da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic) de Santos contou com suporte de inteligência e investigativo da polícia do Rio de Janeiro para confirmar que MC Urubuzinho estava no apartamento na capital paulista. Os agentes da Dise de Santos foram até o endereço na Rua Cesário Alvim, no bairro Belenzinho, e cumpriram o mandado de prisão preventiva.
O cantor foi levado para Santos, onde passou a noite sob custódia das autoridades. A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP-SP) informou que a Polícia Civil continua trabalhando para identificar outros envolvidos no caso e esclarecer completamente a dinâmica dos fatos. Os trabalhos incluem:
- Levantamento e análise detalhada de imagens do evento
- Coleta de depoimentos de testemunhas e participantes
- Perícias em equipamentos apreendidos durante as buscas
- Identificação de todos os participantes do baile funk
- Cumprimento de medidas judiciais para responsabilizar os autores dos disparos
Outro suspeito preso no mesmo caso
Conhecido como 'Oval', Renato Olímpio Paula, de 41 anos, foi preso no dia 25 de fevereiro, apontado como um dos suspeitos que atiraram para o alto durante o pancadão de Carnaval. Ele foi identificado por meio de imagens onde aparece efetuando disparos com uma pistola equipada com carregador alongado.
Oval foi localizado na região da divisa entre Santos e São Vicente e, durante a abordagem policial, chegou a quebrar seu telefone celular, que foi apreendido para análise pericial. O suspeito possui antecedentes criminais por receptação, furto, roubo e tráfico de drogas, segundo registros policiais.
Defesa do artista alega cumprimento de contrato profissional
Em nota oficial, a defesa de MC Urubuzinho, representada pelo advogado Matheus Siqueira, afirmou que o cantor compareceu ao baile funk "exclusivamente para cumprir compromisso profissional previamente contratado, realizando apresentação artística no local". A defesa ressaltou que o artista não possuía "qualquer ingerência, controle ou participação em condutas praticadas por terceiros presentes no evento".
Segundo os advogados, as informações divulgadas têm associado indevidamente o nome do artista a fatos que ainda estão sob investigação pelas autoridades competentes. "A defesa ressalta, de forma categórica, que não existe qualquer vínculo do artista com organização criminosa, tampouco participação em atividades ilícitas dessa natureza", declarou a representação legal.
A defesa ainda destacou que a presença do artista no evento se deu unicamente na condição de profissional contratado para apresentação musical, situação comum na atividade artística e que não implica, por si só, qualquer responsabilidade por atos eventualmente praticados por terceiros. "Quaisquer acusações serão devidamente enfrentadas no âmbito do devido processo legal", completou a nota.
A investigação continua sendo conduzida pela Deic de Santos, que apura as responsabilidades criminais relacionadas aos disparos registrados durante o evento festivo. As autoridades buscam esclarecer completamente o episódio que colocou em risco a segurança de centenas de jovens durante as comemorações do Carnaval no litoral paulista.



