Vídeo gravado por fotógrafa foi decisivo para prisão de suspeito de homicídio em convento
A ação rápida e discreta de uma fotógrafa foi fundamental para que a Polícia Civil do Paraná conseguisse identificar e prender o homem suspeito de assassinar a freira Nadia Gavanski, de 82 anos. O crime ocorreu no sábado (21), no convento Irmãs Servas de Maria Imaculada, localizado no município de Ivaí, na região dos Campos Gerais.
Flagrante gravado revela nervosismo e vestígios do crime
Após cometer o homicídio, o suspeito se afastou do corpo da religiosa e abordou um grupo de pessoas que estava no local, entre elas uma fotógrafa que trabalha no convento há nove anos. A mulher percebeu imediatamente que o homem apresentava comportamento nervoso, além de estar com as roupas manchadas de sangue e exibir arranhões visíveis no pescoço.
Quando questionado, ele afirmou que trabalhava no convento e havia encontrado a freira caída. No entanto, a fotógrafa desconfiou da história, pois conhecia todos os funcionários do local. "Eu sabia que ele não trabalhava ali porque eu tiro fotos nesse local há 9 anos e eu nunca o vi ali", declarou ela à RPC.
Com discrição, a testemunha começou a filmar parte da interação com o suspeito, enquanto pedia ajuda a outras pessoas para acionar a Polícia Militar e uma ambulância. O material audiovisual se tornou uma prova crucial para as investigações.
Fuga e prisão violenta do acusado
O homem fugiu do convento antes da chegada das autoridades, mas a polícia conseguiu identificá-lo rapidamente graças às imagens fornecidas pela fotógrafa. A corporação localizou o suspeito em sua residência, onde ele tentou escapar ao perceber a aproximação dos agentes.
Durante a abordagem, o indivíduo reagiu violentamente, desferindo socos e chutes contra os policiais, que conseguiram contê-lo. Em interrogatório, ele admitiu a autoria do crime e revelou ter passado a madrugada consumindo drogas e bebidas alcoólicas.
O investigado contou à polícia que ouviu vozes ordenando que matasse alguém e que pulou o muro do convento já com a intenção de tirar a vida de uma pessoa. Ele negou qualquer plano de furtar bens do local religioso.
Qualificações do crime e antecedentes do suspeito
O delegado Hugo Fonseca, responsável pelo caso, destacou a importância da contribuição da fotógrafa. "A contribuição dela foi importantíssima, justamente para, de pronto, já identificarmos o suspeito. Muitas vezes, nos crimes de homicídio, nós encontramos o corpo, conseguimos identificar o que causou a morte daquela pessoa, só que, muitas vezes, em um primeiro momento, nós não temos elementos de informação capazes de identificar a autoria", explicou.
O homem foi preso em flagrante pelo crime de homicídio qualificado. A polícia aponta indícios de qualificadoras como motivo fútil, asfixia e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, além de resistência à prisão. Ele tem antecedentes criminais por roubo e furto, conforme registros da Polícia Civil.
A irmã Nadia Gavanski dedicou 55 anos de sua vida à vocação religiosa. A fotógrafa que ajudou a elucidar o caso refletiu sobre sua atuação: "Talvez, se eu não tivesse ali naquele momento, ele poderia ter feito isso com outra irmã, ou as pessoas nunca descobririam que foi ele". As investigações continuam para apurar todos os detalhes do trágico episódio.