Unirio suspende aluno por 120 dias após denúncia de estupro coletivo em Copacabana
Em decisão divulgada nesta segunda-feira, 2 de março de 2026, a Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio) suspendeu por 120 dias o aluno Bruno Felipe dos Santos Allegretti, de 18 anos, um dos réus pelo estupro coletivo de uma adolescente em Copacabana. A instituição de ensino superior expressou, em nota oficial, "incondicional solidariedade à estudante vítima de violência sexual, seus familiares e amigos" e reiterou que repudia "toda e qualquer forma de violência contra as mulheres".
Medidas administrativas rigorosas
A Unirio informou que, após confirmar a participação de um de seus estudantes no crime, agiu com prudência e assertividade para apurar os fatos junto a fontes oficiais. Diante das evidências, a reitoria determinou a suspensão cautelar do aluno por 120 dias, com efeito imediato. A medida inclui a proibição de frequentar:
- Salas de aula
- Laboratórios de ensino e pesquisa
- Bibliotecas e restaurante universitário
- Outras áreas de convivência acadêmica
A universidade também firmou compromisso de assegurar que os próximos passos do processo administrativo ocorram com responsabilidade e celeridade, colocando-se à disposição das autoridades policiais e judiciais para colaborar com investigações e esclarecimentos necessários.
Outras instituições também tomam providências
Na mesma segunda-feira, a Reitoria do Colégio Pedro II e a Direção-Geral do Campus Humaitá II afastaram dois dos jovens acusados: um adolescente de 17 anos e Vitor Hugo. Em comunicado, a instituição afirmou que "repudia toda forma de violência" e que todos estão "indignados com o ocorrido". A escola seguirá com procedimentos para desligamento dos estudantes, em conjunto com a procuradoria federal.
O Serrano Football Club, por sua vez, afastou João Gabriel e rompeu o contrato com o atleta. Os quatro acusados foram indiciados no último sábado, 28 de fevereiro, por estupro com concurso de pessoas e são considerados foragidos pela polícia.
Detalhes do crime que chocou o Rio
O caso ocorreu em 31 de janeiro, quando a vítima, uma adolescente de 17 anos, foi atraída por seu suposto ex-namorado para um apartamento em Copacabana. Segundo investigações:
- A vítima foi avisada no elevador que os amigos do rapaz estavam no apartamento
- Ela recusou participar de "algo diferente" sugerido pelos jovens
- Durante relação sexual com o ex-namorado, os quatro adultos entraram no quarto
- Após insistência do menor, ela aceitou que permanecessem desde que não a tocassem
- Os acusados não respeitaram o acordo, tiraram a roupa e começaram a apalpá-la
- Forçaram a vítima a fazer sexo oral e foi penetrada por todos
- A adolescente também foi chutada, socada e estapeada quando tentou sair
O relatório policial registra que, após a vítima deixar o edifício, o adolescente foi visto fazendo gestos de comemoração aos amigos.
Provas médicas e ações judiciais
A vítima procurou a 12ª DP (Copacabana) para registrar queixa e realizou exame de corpo de delito que identificou:
- Lesões compatíveis com violência física
- Infiltrado hemorrágico
- Escoriação na região genital
- Sangramento vaginal
- Manchas nas regiões dorsal e glútea
Materiais biológicos foram coletados para exames genéticos e análise de DNA. O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro entrou com denúncia por estupro com concurso de pessoas, e o Tribunal de Justiça expediu mandados de prisão preventiva pela 1ª Vara Especializada em Crimes Contra Crianças e Adolescentes.
No sábado, a polícia deflagrou a operação "Não é Não" para cumprir as ordens judiciais, mas nenhum dos quatro jovens foi encontrado, permanecendo foragidos. O adolescente de 17 anos foi alvo de mandado de busca e apreensão, com investigação sob responsabilidade da Vara da Infância e da Adolescência por ser menor de idade.
