Testemunha relata que Turra chamou amigos para agredir jovem em Águas Claras
Turra chamou amigos para agredir jovem, diz testemunha

Ministério Público pede reenquadramento de agressão de Turra para tentativa de homicídio

O Ministério Público do Distrito Federal apresentou um pedido formal à Justiça para que mais um caso de agressão protagonizado pelo ex-piloto Pedro Turra seja levado ao Tribunal do Júri, com reenquadramento como tentativa de homicídio. O despacho, assinado pelo promotor Flávio Roberto Borges Santos, atende a uma solicitação da defesa de Arthur Azevedo Valentim, vítima de agressão por Turra em junho de 2025 em uma praça de Águas Claras.

Depoimento revela padrão de comportamento violento

Como revelado nesta quinta-feira (12), os advogados de Valentim anexaram ao processo o depoimento de uma jovem testemunha colhido em outro inquérito. No relato, a testemunha descreve um padrão de comportamento agressivo de Turra e afirma que o ex-piloto tinha a intenção clara de "bater para matar" ao se envolver em brigas. Atualmente, a agressão contra Valentim é tratada judicialmente como "lesão corporal" e tramita na Vara Criminal de Taguatinga. Caso seja reenquadrada como "tentativa de homicídio", o caso passará para a competência do júri popular.

Pedro Turra já é réu por homicídio após a morte de Rodrigo Castanheira, de 16 anos, em uma briga de rua. Ele cumpre prisão preventiva no Centro de Detenção Provisória enquanto aguarda julgamento. Este caso específico foi denunciado em junho de 2025, mas Turra só prestou depoimento em 27 de janeiro deste ano. A Polícia Civil concluiu as investigações classificando o fato como lesão corporal e encaminhou o processo para a Justiça do Distrito Federal.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

"Ele queria bater para matar", afirma testemunha

De acordo com a defesa de Arthur Valentim, o depoimento da testemunha deixa "evidente que a conduta investigada não se limita ao crime de lesão corporal". A testemunha narrou que estava com o ex-piloto no dia da briga e que ele foi ao local onde Valentim estava com a intenção premeditada de agredi-lo. "Ele não queria parar de bater, ele queria bater para matar", declarou a testemunha em seu depoimento.

O g1 procurou a defesa de Pedro Turra para comentar as acusações, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem. O depoimento exclusivo a que o veículo teve acesso revela detalhes alarmantes sobre os eventos que antecederam a agressão.

Confusão começou com mal-entendido envolvendo namorada

Segundo o relato da testemunha, a confusão foi causada por um mal-entendido envolvendo Lauanny Faria Braier Borges, namorada do ex-piloto na época. "Eu falei: 'Pedro, conversa com ele. Não precisa partir para agressão' [...] Ele falou: ‘Se eu pego esse moleque, eu mato’. Ele sempre falava isso: ‘Se eu pego alguém para bater, eu pego para matar’", contou a depoente.

A testemunha afirma que estava com Pedro Turra quando ele identificou que Arthur Valentim estava em uma praça em Águas Claras e decidiu chamar amigos para "ajudar" na briga. A depoente chegou a enviar uma mensagem de alerta para Valentim, conforme comprovado por um print obtido pelo g1 que mostra uma tentativa de ligação e duas mensagens entre 19h26 e 19h30 daquele dia: "Acabei de te ver. Corre."

Agressão só parou com intervenção da testemunha

"O Pedro já ficou louco para ir pegar ele na porrada. Chamou todos os amigos, um monte de amigo dele. E aí, chegaram ele e um monte de menino, assim. Encurralaram o Arthur", relatou a testemunha. Ainda segundo seu depoimento, a situação parecia resolvida após uma conversa entre os dois, mas quando Valentim virou as costas para ir embora, foi surpreendido com um mata-leão.

O novo golpe foi motivado, de acordo com a testemunha, por um comentário da namorada de Pedro Turra. "Ele não ia mais bater nele. A Lauanny chegou no ouvido do Pedro e falou: 'Você vai fazer de novo isso de falar e não fazer?'. Mexeu com o ego dele. Então ele foi correndo e pegou o Arthur Valentim no mata-leão. Começou a socar ele e não parava. Inclusive, sangrou o ouvido", narrou.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar

A agressão só teria cessado após a intervenção da própria testemunha, que relatou à Polícia Civil que puxou Pedro Turra pelo cabelo e mentiu dizendo que "a polícia estava chegando". Só então Turra teria largado Valentim. A mentira gerou represálias contra a testemunha, que teria "atrapalhado" a briga segundo os agressores.

"Ele brigou, ele e a Lauanny. Veio com o grupinho todo brigar comigo, falando que eu atrapalhei a briga, que eu não devia ter me metido. Que ele [Turra] queria ter matado ele [Valentim], que tinha que ter continuado a briga, pelo menos para deixar ele muito machucado", afirmou a testemunha.

Relato da vítima confirma violência

O g1 também teve acesso ao boletim de ocorrência registrado em 28 de junho de 2025. Na denúncia, a vítima relata que teve um desentendimento com Pedro Turra no mês anterior por conta da então namorada do piloto, mas naquela ocasião não houve violência física.

No dia 28 de junho, Valentim estava sozinho em uma praça de Águas Claras quando Pedro chegou acompanhado de quatro amigos. Eles conversaram por cerca de dez minutos e, ao final, o piloto teria dito que "estava tudo certo" entre os dois. A vítima afirma que, ao virar de costas para ir embora, foi surpreendida com um soco nas costelas.

O jovem conta ainda que foi derrubado no chão e imobilizado com um golpe conhecido como "mata-leão". Ele diz que conseguiu evitar o enforcamento, mas "levou diversos socos no rosto". Segundo seu depoimento, os amigos de Turra não agrediram a vítima diretamente, mas só intervieram após cerca de cinco minutos - momento em que Pedro foi contido e a vítima conseguiu fugir correndo.

O processo atualmente tramita no Juizado Especial Criminal de Taguatinga e ainda aguarda análise da Justiça e manifestação do Ministério Público sobre o pedido de reenquadramento para tentativa de homicídio.