Operação prende três por produção e venda ilegal de medicamentos em Campinas
Três presos por farmácia clandestina de medicamentos em Campinas

Operação desmantela fábrica clandestina de medicamentos em Campinas

Uma operação conjunta da Polícia Civil e da Vigilância Sanitária resultou na prisão de três pessoas envolvidas na produção e venda ilegal de medicamentos em Campinas, interior de São Paulo. A ação, realizada nesta terça-feira (17), desmantelou uma farmácia de manipulação clandestina localizada na Avenida Dr. Moraes Salles, no bairro Cambuí, que operava sob a fachada de uma clínica de estética.

Volume de produção indica distribuição ampla

Durante a investigação, foram encontrados documentos que apontavam para uma meta de produção de 50 mil cápsulas por dia, um volume que, segundo o delegado Marcel Fehr, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), não se restringiria apenas à venda em uma farmácia vizinha. "Certamente não era para abastecer só essa farmácia. Muito provavelmente eles distribuíam para outros estabelecimentos e também comércio digital", afirmou Fehr em coletiva de imprensa na quarta-feira (18).

A suspeita da polícia é de que a operação clandestina fazia parte de uma organização criminosa atuante no segmento de medicamentos manipulados, com etapas como embalagem e distribuição sendo realizadas em outros locais.

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Apreensões e prisões em flagrante

Na ação, foram apreendidas cerca de três toneladas de matéria-prima, avaliadas em aproximadamente R$ 940 mil. As três pessoas presas incluem dois operadores de máquinas e um farmacêutico, identificado como o responsável legal tanto pela produção clandestina quanto por uma farmácia vizinha, a Biostévi Pharma, que funcionava regularmente.

O farmacêutico preso era o mesmo responsável técnico pela farmácia legal, configurando um caso de uso fraudulento de documentação sanitária, segundo a Vigilância Sanitária.

Condições inadequadas e riscos à saúde

A Prefeitura de Campinas destacou que a fábrica operava sem alvará, colocando em risco a saúde da população. Funcionários relataram que o laboratório clandestino funcionava há pelo menos um ano, com produtos mantidos em condições inadequadas, sem controle de temperatura e higiene.

Máquinas industriais usadas para produção em grande escala estavam em más condições de limpeza, e a fiscalização apontou irregularidades na dosagem dos medicamentos, com diferenças de gramatura.

Substâncias controladas e fraudes documentais

Entre os medicamentos produzidos ilegalmente estavam remédios para controle e alívio de dor, digestão, vitaminas, suplementos alimentares e cafeína anidra, esta última exigindo aprovação da Polícia Federal, que não havia sido obtida.

A Vigilância Sanitária constatou várias violações, incluindo funcionamento sem licença sanitária, ausência de responsável técnico habilitado, manipulação de substâncias controladas sem autorização e descumprimento das boas práticas de manipulação.

Defesa da farmácia legal e próximos passos

Em nota, a Biostévi Pharma afirmou possuir Licença Sanitária e Alvará de Funcionamento regulares, e que as matérias-primas presentes no estabelecimento atendem às exigências legais. A empresa disse que fará adequações se orientada pela Vigilância Sanitária e contestou o volume de três toneladas de insumos apreendidos, alegando que é incompatível com a capacidade física do local.

O responsável pela produção clandestina terá prazo de 10 dias para apresentar defesa no processo administrativo sanitário, enquanto as investigações continuam para identificar possíveis envolvidos na rede de distribuição.

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