Duas travestis são presas por extorsão em São Vicente após golpe do amor
Duas travestis foram presas em São Vicente, no litoral de São Paulo, acusadas de integrarem uma quadrilha especializada em extorsão contra homens que marcam encontros por meio de aplicativos. As detenções ocorreram nesta quinta-feira (12), após investigações que revelaram um esquema criminoso que teria vitimado um homem casado em dezembro de 2025.
O caso do golpe do amor
De acordo com as investigações da Polícia Civil, o homem teria sido vítima do chamado golpe do amor. Ele marcou um encontro com uma mulher através de mensagens em uma casa localizada na Vila Mateo Bei, em São Vicente. Após contratar serviços sexuais, a travesti teria descoberto que ele era casado e passado a exigir mais de R$ 7 mil para não revelar o ocorrido à família.
Inicialmente, a ocorrência foi registrada como extorsão mediante sequestro. No entanto, quando confrontado com prints de mensagens que comprovavam o agendamento do encontro para programa sexual, o homem desmentiu a versão do sequestro, confirmando apenas a prática de extorsão. As evidências digitais apresentadas pelas acusadas mostraram conversas onde o próprio homem combinava detalhes do encontro, chegando ao local sem indícios aparentes de coação.
A defesa apresenta versão alternativa
A advogada Paula Funchal, que defende as travestis presas, afirmou ao g1 que a narrativa de sequestro e extorsão não corresponde aos fatos reais. Segundo a defesa, os elementos apresentados incluem:
- Prints de mensagens e vídeos mostrando o homem marcando o encontro voluntariamente
- Uma transferência de R$ 1 mil via Pix para a conta da mulher que alugou o imóvel, caracterizado como pagamento pré-combinado do aluguel
- A primeira saída do homem com uma das travestis ocorrendo de forma tranquila e consensual
A advogada sustentou que a extorsão teria sido praticada por uma quarta mulher, que não foi localizada e segue foragida, e que teria manipulado toda a situação. A defesa também alegou que a prisão temporária das clientes é desproporcional, já que sua única participação teria sido alugar o imóvel onde ocorreu o encontro.
Prisões e situação das investigadas
As três travestis investigadas foram levadas ao 2º Distrito Policial de Cubatão na sexta-feira (6) para prestar depoimento. Na ocasião, apenas uma permaneceu presa, enquanto as outras duas foram detidas nesta quinta-feira (12). As prisões foram realizadas com base em mandados de prisão temporária expedidos pela Justiça.
Após as formalidades na delegacia, as investigadas foram encaminhadas à cadeia do Guarujá, onde permanecerão à disposição da Justiça até a realização da audiência de custódia. A quarta investigada, apontada como integrante do grupo, não foi localizada e continua foragida.
Equipes policiais realizaram diligências em endereços ligados à suspeita em São Bernardo do Campo, na região metropolitana de São Paulo, mas não conseguiram encontrá-la. Segundo a Polícia Civil, no endereço onde foi cumprido o mandado funciona um imóvel no qual diversas travestis realizam programas sexuais.
Modus operandi e alerta policial
O delegado Wagner Camargo, responsável pelas investigações, explicou que as acusadas já têm passagem policial da mesma natureza, relacionada a constranger vítimas após programas sexuais. "Elas continuam com esse mesmo modus operandi, que desencadeou uma operação", afirmou o delegado em entrevista à TV Tribuna, afiliada da Globo.
Camargo ressaltou que a ação trata-se de um crime patrimonial gravíssimo, considerado crime hediondo pela legislação brasileira. O delegado ainda fez um alerta sobre os riscos dos sites usados para encontros amorosos: "Que as vítimas, que a sociedade tome cuidado com sites de relacionamentos amorosos, de marcar encontros, seja qual opção sexual for. Os crimes estão acontecendo. Às vezes, marca um encontro com uma pessoa com uma foto, e chega no local é outra, é uma quadrilha".
As investigações apontam que outras suspeitas também são investigadas por participarem da quadrilha de extorsão, indicando que o esquema criminoso pode ter vitimado mais pessoas na região. O caso continua sob investigação da Polícia Civil, que busca localizar a quarta integrante do grupo e apurar possíveis outras vítimas do mesmo modus operandi.



