Justiça de SC libera tenistas estrangeiros acusados de racismo após pagamento de caução
Tenistas acusados de racismo em SC são liberados após caução

Tenistas estrangeiros são liberados após decisão judicial em caso de injúria racial em SC

O Tribunal de Justiça de Santa Catarina decidiu retirar as medidas cautelares impostas a dois tenistas estrangeiros investigados por injúria racial durante um campeonato em Itajaí, em janeiro. Com a decisão, os atletas, um venezuelano e um colombiano, terão que pagar uma caução total de R$ 20 mil e poderão retornar aos seus países de origem.

Detalhes da decisão judicial

A desembargadora Andrea Cristina Rodrigues Studer, relatora do caso, concedeu um pedido de Habeas Corpus feito pela defesa dos tenistas. Eles foram presos em 22 de janeiro e soltos no dia seguinte, com os passaportes apreendidos e monitoramento eletrônico. No texto da decisão, a magistrada destacou que os acusados vêm cumprindo as condições impostas e que a manutenção das medidas cautelares, que impedem o exercício de sua profissão e os mantêm no Brasil com custos elevados, começava a adquirir contornos de antecipação de pena.

A decisão está condicionada ao cumprimento de duas medidas principais:

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  • Pagamento de caução: Cristian Camilo Rodrigues Sanches pagará R$ 5 mil, e Luis David Martinez Garcia, R$ 15 mil, valores acrescidos de 20% para cobrir eventuais custas do processo.
  • Assinatura de termo de compromisso: Os investigados devem comparecer, por videoconferência, a todos os atos do processo quando convocados e manter seus endereços, e-mails e números de telefone atualizados nos autos.

Argumentos da defesa e posição do Ministério Público

A defesa dos tenistas argumentou que a carreira dos atletas, profissionais de alto rendimento, estava sendo severamente prejudicada, impondo uma dupla penalidade: processual e profissional. A decisão considerou que o receio inicial de fuga, devido à condição de estrangeiros, perdeu força diante do comportamento adotado durante o processo, e a participação por videoconferência relativizou preocupações com o andamento do caso.

No entanto, o Ministério Público de Santa Catarina se manifestou contrário à decisão, em publicação na segunda-feira (9). De acordo com o MPSC, permitir que os pacientes estrangeiros saiam do país pode gerar dano irreversível à aplicação da lei penal, sobretudo diante de indícios de que não retornariam espontaneamente para se submeter aos efeitos de eventual condenação. O órgão destacou que os fatos investigados ocorreram no exercício da atividade esportiva, revelando a gravidade concreta da conduta.

Contexto do caso

O crime aconteceu na tarde de 22 de janeiro durante o Itajaí Open de Tênis, realizado no Clube Itamirim, em Itajaí, Litoral Norte catarinense. Segundo a denúncia, o colombiano Cristian Rodriguez ofendeu um funcionário do clube, chamando-o de "macaquito de merda", enquanto o venezuelano Luis David Martínez fez gestos imitando um macaco, coçando as axilas, em direção ao público. As ofensas racistas foram registradas por espectadores, que acionaram a polícia. Os dois foram presos após deixarem o local e irem para o hotel onde estavam hospedados, sendo detidos pela Polícia Militar e levados à delegacia em flagrante.

O caso continua em investigação, com os tenistas agora aguardando o desfecho processual sob as novas condições estabelecidas pela Justiça catarinense.

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