Suzane von Richthofen é acusada de furto em disputa por herança de R$ 5 milhões do tio
Suzane von Richthofen acusada de furto em herança de tio

Suzane von Richthofen enfrenta nova acusação de furto em meio a disputa por herança milionária

Duas semanas após a Polícia Civil de São Paulo iniciar as investigações sobre um suposto furto na residência de Miguel Abdalla Neto, tio de Suzane von Richthofen, uma nova denúncia surge para complicar ainda mais a situação da condenada pelo assassinato dos pais. Uma prima de Suzane, que também era namorada da vítima, registrou um boletim de ocorrência acusando-a de tomar posse indevida de diversos bens valiosos.

Acusação formal e disputa pela inventariante

De acordo com o documento policial, a acusação tem como base o inventário aberto na Vara de Família e Sucessões do Foro Regional de Santo Amaro. No processo, Suzane admitiu expressamente ter subtraído e estar na posse de bens do espólio, incluindo um carro e outros objetos, sem qualquer autorização judicial para tal ação.

No mesmo documento, Suzane justificou sua conduta alegando que soldou o portão da casa para proteger os bens que, em sua opinião, poderiam lhe pertencer por direito. As duas primas travam uma batalha judicial para definir quem será a inventariante oficial da herança de Abdalla Neto, estimada em impressionantes R$ 5 milhões.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Argumentos conflitantes e bens em disputa

Suzane defende seu direito à posição de inventariante com base no fato de ser a parente consanguínea mais próxima do falecido. Por outro lado, Carmem Silvia Gonzalez Magnani contrapõe que viveu em união estável com a vítima por 14 anos consecutivos, o que, em sua visão, lhe conferiria prioridade no processo sucessório.

O boletim de ocorrência lista detalhadamente os itens que estariam sob posse da sobrinha:

  • Um carro Subaru prata, modelo 2021
  • Uma lavadora de roupas
  • Um sofá
  • Uma cadeira/poltrona
  • Uma bolsa contendo documentos e dinheiro

A reportagem tentou contatar Suzane por telefone e mensagens de texto para obter sua versão sobre as acusações, mas não obteve resposta até o momento da publicação deste material.

Risco de regressão no regime prisional

O 27º DP (Campo Belo), que iniciou a investigação do furto dos bens no dia 20 de janeiro, dará continuidade às apurações. Como Suzane está em regime aberto desde janeiro de 2023, ela corre o risco real de voltar à prisão em regime fechado ou semiaberto, dependendo do desenrolar do caso.

Segundo o advogado criminalista Gustavo Henrique Moreno Barbosa, o Superior Tribunal de Justiça possui jurisprudência que indica claramente que a regressão da pena não é automática e não pode ser baseada em simples acusações infundadas. "Caberá ao juiz da Vara de Execução Penal avaliar a necessidade com base em prova de autoria e materialidade", explica o especialista.

Barbosa detalha ainda que, se verificada prova contundente, pode ser determinada a regressão cautelar do regime prisional, tanto para o semiaberto quanto para o fechado. Para configurar crime de furto, será necessário demonstrar a intenção de Suzane de se apropriar dos bens de forma ilegal.

Contexto histórico e situação atual

Miguel Abdalla Neto foi encontrado morto no dia 9 de janeiro na sala de sua casa no bairro Campo Belo, zona sul de São Paulo. A polícia aguarda a conclusão dos laudos do Instituto Médico Legal para esclarecer definitivamente a causa da morte do médico.

Abdalla Neto tinha um papel familiar significativo: foi tutor de Andreas von Richthofen, irmão de Suzane, após o assassinato dos pais deles em 31 de outubro de 2002. Ele era irmão de Marísia, mãe de Suzane e Andreas.

Ré confessa, Suzane foi condenada em 2006 a quase 40 anos de prisão. Na época do crime, ela tinha quase 19 anos e era estudante de direito da PUC-SP. Sua trajetória prisional inclui:

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar
  1. Liberdade provisória em junho de 2005 por decisão do STJ
  2. Nova prisão meses depois após exibição de entrevista ao "Fantástico"
  3. Domiciliar provisória permitida em 2006, cassada no mês seguinte
  4. Transferência para regime semiaberto no ano seguinte
  5. Primeira saída da prisão durante feriado de Páscoa em 2016
  6. Regime aberto desde janeiro de 2023

As informações reveladas mostram que a briga judicial começou antes mesmo do enterro do médico e envolve questões sucessórias ainda indefinidas, criando um cenário complexo que mistura direito de família, direito penal e execução penal.