COI reintroduz testes genéticos e proíbe atletas transgênero em categorias femininas
O Comitê Olímpico Internacional (COI) anunciou uma mudança radical em sua política de elegibilidade para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 2028. A entidade decidiu reintroduzir testes genéticos de gênero que determinarão quem pode competir nas categorias femininas, efetivamente banindo mulheres transgênero e atletas com diferenças do desenvolvimento sexual (DDS) dessas competições.
Teste do gene SRY como critério definitivo
Segundo o novo regulamento, a elegibilidade para qualquer evento de categoria feminina nos Jogos Olímpicos ou em outros eventos do COI será limitada exclusivamente a mulheres biológicas. O critério será determinado através de uma triagem única do gene SRY, que está ligado ao cromossomo Y.
O teste será realizado através de coleta de saliva, swab bucal ou amostra de sangue. Atletas que apresentarem resultado negativo terão elegibilidade permanente para competir na categoria feminina, conforme estabelece o documento oficial: "a menos que haja motivos para acreditar que uma leitura negativa esteja incorreta, este será um teste realizado uma única vez na vida".
Consequências para atletas com resultado positivo
Para aqueles que testarem positivo para o gene SRY, o COI estabelece que serão elegíveis apenas para:
- Eventos de qualquer categoria masculina
- Vagas masculinas designadas dentro de categorias mistas
- Categorias abertas ou esportes que não classificam atletas por sexo
A decisão não é retroativa, o que significa que resultados anteriores de atletas afetados não serão invalidados. Um caso emblemático é o da sul-africana Caster Semenya, bicampeã olímpica nos 800m em Londres 2012 e Rio 2016, que possui hiperandrogenismo (um tipo de DDS) e produz naturalmente níveis elevados de testosterona.
Alinhamento com política norte-americana
A medida do COI se alinha diretamente com a ordem executiva do presidente americano Donald Trump de fevereiro de 2025, intitulada "Mantendo homens fora dos esportes femininos". Esta ordem bania a participação de atletas transgênero em competições femininas e previa cortes de investimento para instituições que se opusessem à decisão.
Vale destacar que não há registro oficial de quantas mulheres transgênero participam atualmente de competições olímpicas, sendo que nenhuma participou dos Jogos de Paris 2024. A nova política representa uma mudança significativa na abordagem do esporte olímpico em relação à inclusão de gênero.
A sede do COI em Lausanne, na Suíça, foi o local onde a decisão foi formalizada, marcando um novo capítulo nas controvérsias sobre equidade e inclusão no esporte de alto rendimento.



