Suzane Richthofen será ouvida pela polícia sobre furto em casa de tio morto
A Polícia Civil de São Paulo vai ouvir Suzane von Richthofen, condenada pelo assassinato dos pais em 2002, e a empresária Carmem Silvia Gonzalez Magnani em um inquérito que investiga a suspeita de furto na residência do médico Miguel Abdalla Netto. O médico foi encontrado morto no dia 9 de janeiro, dentro de sua casa no bairro Campo Belo, na Zona Sul da capital paulista.
Depoimentos e acusações
Carmem, que era prima de Miguel, deve prestar depoimento nesta terça-feira, 10 de março. Ainda não há data definida para Suzane, sobrinha do médico, ser ouvida. Os depoimentos ocorrerão no 27º Distrito Policial (DP) do Campo Belo. As informações foram confirmadas ao portal de notícias por policiais e advogados de Carmem.
Carmem registrou um boletim de ocorrência acusando Suzane de retirar da residência do médico, sem autorização judicial, itens como um carro e móveis. Ela também relatou o desaparecimento de documentos e dinheiro. A investigação apura se houve invasão e furto no local.
Morte ainda sob análise
Paralelamente, a morte de Miguel segue em análise pelos peritos. Embora a principal hipótese seja infarto, o caso continua classificado como suspeito enquanto aguardam os resultados dos laudos periciais. Em 9 de janeiro, ele foi encontrado morto, sozinho, dentro de sua casa, sem marcas de violência aparentes.
Miguel era solteiro, não tinha filhos, irmãos ou testamento deixado. Seu patrimônio é estimado em mais de R$ 5 milhões, incluindo imóveis, contas bancárias e outros bens.
Disputa judicial pela herança
Suzane e Carmem disputam a herança na Justiça. Nesta semana, a Justiça nomeou Suzane como inventariante do espólio, responsável por administrar e preservar os bens até a partilha definitiva. A decisão determina que ela não poderá vender, transferir ou usufruir dos imóveis, contas bancárias, carro e demais itens, e que deverá prestar contas à Justiça sobre qualquer ato de gestão.
A disputa pela função envolve Carmen, que tenta reconhecimento de união estável com Miguel em uma ação paralela. A juíza responsável pelo inventário, porém, afirmou que a empresária ainda não comprovou a relação naquele processo e que os sobrinhos têm prioridade na ordem sucessória. O único outro sobrinho vivo, Andreas von Richthofen, não se habilitou no caso.
A defesa de Carmem disse que vai recorrer contra a decisão judicial que colocou Suzane como a única inventariante. O portal de notícias tenta contato com a defesa de Suzane. A advogada de Andreas já havia dito que não comentaria o caso.
Relembre o caso Richthofen
Há 23 anos, o engenheiro Manfred von Richthofen, de 49 anos, e a psiquiatra Marísia, de 50, foram assassinados dentro de casa, no Campo Belo. A polícia descobriu que Suzane havia mandado o então namorado, Daniel Cravinhos, e o irmão dele, Cristian, matarem o casal com barras de ferro.
Os três tentaram simular latrocínio, mas confessaram e foram presos. Suzane e Daniel foram condenados a 39 anos, e Cristian, a 38 anos. Suzane deixou a prisão em 2023, vive hoje em Bragança Paulista e adotou o nome Suzane Louise Magnani Muniz após se casar com o médico Felipe Zecchini Muniz, com quem tem um filho. Daniel saiu da prisão em 2018 e trabalha com customização de motos. Cristian foi solto em 2025 e também atua com o irmão.
O inquérito conduzido pela Polícia Civil sobre o suposto furto e a origem da morte do médico segue em andamento, sem previsão de conclusão.



