Justiça mantém presos suspeitos de usar drone com granada para atacar produtor rural em Goiás
A Justiça de Goiás prorrogou por mais 30 dias a prisão de três homens investigados pelo ataque com uma granada lançada por meio de um drone contra a residência de um produtor rural em Itaberaí. O atentado, que ocorreu no dia 17 de janeiro, não resultou em explosão devido a uma falha técnica, mas colocou em risco a vida da vítima e de seus familiares.
Ameaças antecederam o ataque violento
Em depoimento exclusivo à Polícia Civil, o empresário agrícola revelou que vinha recebendo ameaças desde setembro do ano passado, relacionadas a uma dívida de R$ 1,5 milhão referente à compra de sementes de milho. Segundo ele, os suspeitos estabeleciam prazos para o pagamento e faziam insinuações sobre um "presente" caso o valor não fosse quitado.
"Eles falavam que eu tinha até o outro dia para pagar, senão eu ia receber um presente", relatou o produtor rural às autoridades. Para a vítima, o ataque com o drone equipado com a granada representou o cumprimento concreto dessas ameaças.
Detalhes do atentado com tecnologia perigosa
De acordo com as investigações, um drone sobrevoou a residência do produtor rural e lançou uma granada que caiu dentro do imóvel. O artefato explosivo não detonou porque colidiu com o telhado durante a operação, caracterizando uma falha técnica que evitou uma tragédia maior.
A perícia confirmou que havia risco real de morte, já que o empresário e seus familiares estavam na área de lazer da casa no momento do ataque. O caso chamou atenção pelo uso inusitado de tecnologia para fins criminosos, combinando um drone com um artefato explosivo.
Três investigados permanecem presos
Os três homens mantidos sob custódia são:
- Diones Dionatas Saraiva de Freitas, apontado como operador do drone
- Jabes Muller José de Brito, que teria dado apoio logístico à operação
- Abraão de Lima Borges, identificado como credor da dívida de R$ 1,5 milhão
Eles respondem pelos crimes de tentativa de homicídio, extorsão mediante ameaça e porte ilegal de artefato explosivo. As defesas de Jabes e Diones afirmaram que o caso ainda está em fase de investigação preliminar e que seus clientes negam veementemente todas as acusações.
A defesa de Abrahão não se manifestou até o fechamento das informações disponíveis. A Polícia Civil continua apurando os detalhes da operação criminosa e possíveis conexões com outros casos na região.
Contexto de violência no campo
Este caso ilustra uma tendência preocupante de aumento da violência em disputas financeiras no agronegócio, com métodos cada vez mais sofisticados e perigosos. O uso de drones para ataques representa uma nova frente de preocupação para as autoridades de segurança pública.
A Justiça goiana demonstrou rigor ao prorrogar as prisões preventivas, reconhecendo a gravidade dos crimes e o risco à ordem pública. O produtor rural e sua família recebem proteção policial enquanto as investigações avançam para esclarecer todos os aspectos deste atentado que chocou a comunidade de Itaberaí.



