Investigação aponta sumiço de relógios de luxo em instituto policial de São Paulo
A Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo está conduzindo uma investigação minuciosa sobre o desaparecimento de doze relógios de luxo, avaliados em mais de R$ 1 milhão, do prédio do Instituto de Criminalística (IC), localizado na Zona Oeste da capital paulista. As peças, que haviam sido apreendidas anteriormente, estavam no local para a realização de perícia técnica quando desapareceram misteriosamente.
Detalhes do caso e cronologia dos fatos
De acordo com informações da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP), um inquérito policial foi instaurado para apurar as circunstâncias do sumiço, sendo tratado inicialmente como possível furto ou peculato. O crime de peculato ocorre quando um servidor público se apropria indevidamente de um bem público ou que está sob sua guarda e responsabilidade.
Os relógios em questão foram apreendidos originalmente em 25 de setembro do ano passado por policiais do 35º Distrito Policial, situado no bairro do Jabaquara. A apreensão ocorreu durante uma investigação sobre receptação de produtos roubados, mas as peças só foram encaminhadas ao Instituto de Criminalística meses depois, precisamente no dia 16 de março deste ano.
Desaparecimento imediato e investigações em andamento
Conforme apuração realizada pela TV Globo, os relógios foram direcionados a um laboratório especializado em análises de crimes contra o patrimônio, que possui acesso restrito a um número limitado de servidores. O desaparecimento teria ocorrido no mesmo dia em que as peças chegaram ao instituto, levantando suspeitas sobre a atuação de pessoas internas.
A Corregedoria já solicitou as imagens das câmeras de segurança do Instituto de Criminalística, na tentativa de identificar possíveis responsáveis pelo sumiço. Até o momento, ninguém foi preso em conexão com o caso, mas as diligências seguem em andamento para esclarecer todos os detalhes.
Repercussões e conexões com outras investigações
Um fato curioso veio à tona através do advogado de um suspeito investigado por receptação, de quem os relógios foram apreendidos inicialmente. O profissional afirmou que, após o desaparecimento no IC, as mesmas peças teriam sido oferecidas novamente ao seu cliente, indicando uma possível tentativa de revenda no mercado ilegal.
Em nota oficial, a SSP reforçou que a Superintendência da Polícia Técnico-Científica está colaborando integralmente com as investigações. "A Corregedoria da Polícia Civil instaurou inquérito policial para apurar o caso, investigado como possíveis crimes de furto e peculato, a depender da autoria. As imagens de câmeras de monitoramento foram solicitadas para análise, além de diligências para identificação dos responsáveis", declarou a secretaria.
O órgão também afirmou manter um compromisso firme com a transparência e legalidade, visando uma apuração rigorosa de quaisquer desvios de conduta. Este caso ganha contornos ainda mais complexos ao se considerar que a delegacia do Jabaquara, responsável pela apreensão inicial, foi recentemente alvo do Ministério Público de São Paulo na Operação Bazaar.
Essa operação investiga suspeitas de corrupção policial, tendo levado à prisão de um delegado e investigadores acusados de receber propina para não investigar crimes de lavagem de dinheiro. A coincidência de locais e contextos levanta questionamentos sobre a integridade de procedimentos dentro da própria estrutura policial paulista.



