STF inicia julgamento histórico de cinco réus pelo assassinato de Marielle Franco
Oito anos após o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) iniciou nesta terça-feira, 24 de fevereiro de 2026, o julgamento dos cinco acusados de envolvimento no crime que chocou o Brasil. O processo, que se arrasta desde 2018, finalmente chega à fase decisiva, com os réus enfrentando acusações de mandante, planejamento e execução do homicídio.
Quem são os cinco réus no processo
Os cinco acusados que respondem perante o STF são figuras públicas e policiais com histórico de atuação no Rio de Janeiro. Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, é apontado pela acusação como um dos mandantes do crime. Seu irmão, Chiquinho Brazão, ex-deputado federal, também é acusado de ser mandante, conforme as investigações conduzidas pelo Ministério Público.
Rivaldo Barbosa, delegado da Polícia Civil do Rio na época do crime, enfrenta acusações de ter auxiliado os irmãos Brazão no planejamento do assassinato e de ter atuado para blindá-los durante as investigações iniciais. Ronald Paulo de Alves, conhecido como "Major Ronald", ex-policial militar e apontado como ex-chefe da milícia da Muzema, é acusado de monitorar os movimentos da vereadora antes do crime.
O quinto réu é Robson Calixto Fonseca, apelidado de "Peixe", ex-assessor de Domingos Brazão no TCE e identificado como miliciano. Todos os acusados, através de seus advogados, negam veementemente qualquer envolvimento no assassinato de Marielle Franco e em seu motorista, Anderson Gomes, que também foi morto no ataque.
O contexto do crime e as expectativas para o julgamento
O assassinato de Marielle Franco ocorreu na noite de 14 de março de 2018, quando o carro em que a vereadora e seu motorista estavam foi alvejado por tiros na região central do Rio de Janeiro. Marielle, uma defensora dos direitos humanos e crítica das milícias, foi morta com quatro tiros na cabeça. O crime gerou comoção nacional e internacional, com pedidos de justiça que ecoam até os dias atuais.
O julgamento no STF é considerado um marco na busca por respostas sobre os mandantes do crime, após anos de investigações complexas e reviravoltas. A Primeira Turma, composta por ministros do Supremo, analisará as provas apresentadas pelo Ministério Público Federal e pela defesa dos réus, em um processo que deve durar várias sessões.
Especialistas em direito penal destacam que este julgamento pode estabelecer precedentes importantes para casos de violência política e atuação de milícias no Brasil. A sociedade civil e organizações de direitos humanos acompanham com expectativa, esperando que a justiça seja feita após tanto tempo de impunidade.
As audiências devem prosseguir nas próximas semanas, com a possibilidade de testemunhas serem ouvidas e novas provas serem apresentadas. O desfecho deste processo será crucial não apenas para a memória de Marielle Franco, mas também para a credibilidade das instituições brasileiras no combate à criminalidade organizada.



