STF inicia julgamento dos acusados de mandar matar Marielle Franco com foco em provas
STF julga acusados de mandar matar Marielle Franco com foco em provas

STF inicia julgamento histórico dos acusados de mandar matar Marielle Franco

O ministro Flávio Dino, presidente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, declarou nesta terça-feira que o julgamento dos supostos mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco será conduzido estritamente com base em fatos e provas. A sessão marcou o início do processo contra o ex-deputado Chiquinho Brazão, seu irmão Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, e o ex-chefe da Polícia Civil Rivaldo Barbosa, acusados de planejar o crime. Todos negam qualquer envolvimento.

Foco em procedimento técnico e jurídico

Em sua fala de abertura, Dino enfatizou que o STF segue regras rigorosas para garantir um ambiente onde todas as partes possam apresentar argumentos, que serão avaliados à luz de evidências. "O Supremo Tribunal Federal, pela sua tradição, e pela experiência de seus julgadores, sabe ficar imune a qualquer tipo de argumento que não seja pertinente a um julgamento estritamente técnico e jurídico", afirmou o ministro. O julgamento começa sem a apresentação de novas provas relevantes desde a prisão preventiva dos acusados, mantendo-se as lacunas existentes no processo.

Lacunas e desafios probatórios

O processo não preencheu as principais lacunas para comprovar o planejamento do crime conforme o relato do ex-PM Ronnie Lessa, que firmou uma delação premiada e confessou ter executado a vereadora e seu motorista, Anderson Gomes. Não há provas de corroboração para confirmar os encontros relatados por Lessa com os irmãos Brazão para a encomenda do homicídio, nem as conversas sobre o crime por meio de intermediários. Também faltam evidências independentes de contato entre os Brazão e Rivaldo, que teria orientado como o crime deveria ser cometido para dificultar investigações.

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Posição da Procuradoria-Geral da República

O vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, argumentou que não é necessário um roteiro para valorar as palavras do colaborador, mas destacou que o julgador deve avaliar a veracidade das hipóteses acusatórias. "O que não se admite é que o juízo de culpa seja produto apenas da palavra do colaborador", disse. A PGR afirma que depoimentos ao STF e outras provas comprovaram o comando dos irmãos Brazão numa milícia atuante na zona oeste do Rio e seu poder de influência na Polícia Civil.

Acusações e contexto do crime

A acusação também alega que ficou clara a interferência de Rivaldo em investigações na Delegacia de Homicídios, incluindo o caso Marielle, tema de denúncia oferecida contra ele recentemente. Para a PGR, essas provas corroboram o cenário descrito na colaboração de Lessa. A ocultação de provas é apontada como característica de organizações criminosas como milícias, especialmente com envolvimento de policiais experientes. Domingos e Chiquinho teriam decidido matar Marielle para impedir que ela prejudicasse interesses da família em práticas de grilagem de terras, sendo o crime o ápice de desavenças com o PSOL.

Outros envolvidos e negações

Além dos principais acusados, o PM Ronald Alves Pereira e o PM reformado Robson Calixto Fonseca também são réus, acusados de participar da trama e da milícia comandada pelos Brazão. Todos negam as acusações. O julgamento segue com expectativa de análise detalhada das evidências apresentadas, mantendo o foco na busca por justiça no caso que chocou o Brasil.

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