Socorrista experiente desconfia de cena da morte de policial militar em São Paulo
Um socorrista com quinze anos de experiência no atendimento de emergências revelou à polícia que desconfiou imediatamente da cena em que encontrou a soldado da Polícia Militar Gisele Alves, de 37 anos, baleada na cabeça. O profissional, que atendeu a ocorrência no apartamento da Zona Sul de São Paulo onde a vítima vivia com o marido, tenente-coronel Geraldo Neto, decidiu fotografar o local por considerar a situação extremamente atípica.
Arma posicionada de maneira incomum levanta primeiras suspeitas
Em seu depoimento, o socorrista explicou que a arma estava perfeitamente encaixada na mão de Gisele, em uma posição que ele jamais havia observado em casos de suicídio ao longo de sua carreira. Esse detalhe inicial foi apenas o primeiro de uma série de elementos que chamaram a atenção dos profissionais que chegaram ao local.
Outros aspectos levantados incluíam o fato de o sangue já estar coagulado no momento do socorro e a ausência do cartucho da bala no ambiente. O tenente-coronel Geraldo Neto, marido da vítima, afirmou às autoridades que estava tomando banho no momento do disparo, mas testemunhas relataram que ele estava seco e não havia água no chão do apartamento.
Linha do tempo dos eventos contradiz versão apresentada
O caso ocorreu no dia 18 de fevereiro de 2026, no bairro do Brás, na capital paulista. Segundo investigações, uma vizinha relatou ter acordado às 7h28 com um estampido forte, mas o primeiro pedido de socorro feito pelo tenente-coronel só aconteceu às 7h57, aproximadamente vinte e nove minutos depois.
Imagens de câmeras de segurança do prédio mostram Geraldo Neto no corredor do andar às 8h02, sem camisa e ao telefone. Três minutos depois, ele faz outra ligação, e às 8h13 chegam três bombeiros ao apartamento. O tenente-coronel contou que ele e Gisele estavam sozinhos desde a noite anterior e haviam discutido sobre o relacionamento, com a discussão continuando na manhã do incidente.
Comportamento do marido gera mais questionamentos
Enquanto os socorristas tentavam reanimar Gisele Alves no local, eles observaram que o marido não demonstrava desespero e permanecia ao telefone conversando com superiores. Testemunhas ainda afirmaram que, mesmo após ser orientado por policiais a não fazer isso, Geraldo Neto tomou banho durante o intervalo do atendimento.
Policiais militares que participaram da ocorrência relataram que o tenente-coronel voltou com cheiro forte de produto químico. Além disso, laudos da Polícia Técnico-Científica indicam que a cena do crime não foi preservada adequadamente, o que impediu os peritos de determinar com precisão a dinâmica do disparo e identificar quem efetuou o tiro.
Cena alterada e defesa do tenente-coronel
Um vídeo gravado após a saída dos socorristas mostra o apartamento com móveis fora do lugar, panos e produtos de limpeza espalhados pelo chão, sugerindo alterações significativas no ambiente original. A defesa do tenente-coronel Geraldo Neto emitiu nota afirmando que, até o momento, ele não é investigado, suspeito ou indiciado no processo.
O documento jurídico também ressalta que, desde o início, o militar tem colaborado com as autoridades, confia nas investigações e está à disposição para contribuir com a elucidação dos fatos. A complexidade do caso continua a mobilizar esforços investigativos para esclarecer as circunstâncias que levaram à morte da soldado Gisele Alves.



