Assassinato de corretora em Goiás: síndico confessa, mas dinâmica do crime ainda é mistério
A corretora de imóveis Daiane Alves Souza, de 43 anos, foi vítima de um homicídio brutal em Caldas Novas, no sul de Goiás. O autor confesso do crime é Cleber Rosa de Oliveira, de 47 anos, síndico do prédio onde a profissional residia. Cleber não apenas admitiu sua participação, como também indicou à polícia o local onde havia abandonado o corpo da vítima: às margens da rodovia GO-213, aproximadamente 15 quilômetros distante do condomínio.
Conforme o atestado de óbito, a causa da morte foi um traumatismo craniano encefálico causado por disparo de arma de fogo, especificamente um tiro na cabeça. No entanto, apesar da confissão, o inquérito policial permanece em andamento, deixando várias lacunas cruciais sobre como os eventos se desenrolaram. A principal incógnita é se Daiane foi executada dentro do próprio prédio, no momento em que foi interceptada, ou se o disparo fatal ocorreu no local onde seu corpo foi posteriormente encontrado.
Defesa aguarda investigações e polícia busca esclarecer pontos obscuros
Em nota oficial, a defesa de Cleber Oliveira informou que aguarda a conclusão completa das investigações e que não se manifestará sobre as circunstâncias do caso até o encerramento formal do inquérito policial. A equipe de advogados ressaltou que o acusado continua colaborando com a Polícia Civil de Goiás.
O caso está sob a responsabilidade do delegado André Luiz Barbosa, do Grupo de Investigação de Homicídios (GIH) de Caldas Novas. A investigação identificou vários pontos que ainda demandam esclarecimentos definitivos, conforme detalhado a seguir.
Principais dúvidas que a investigação precisa resolver
Dinâmica do crime: A Polícia Civil ainda não estabeleceu com precisão como o homicídio ocorreu. O inquérito segue dentro dos prazos legais e aguarda a finalização de laudos periciais para reconstituir a sequência dos fatos, desde o momento em que Daiane desceu ao subsolo do edifício até a ocultação do corpo. A questão central é determinar se a corretora foi morta ainda nas dependências do prédio ou se foi transportada para outro local antes do disparo.
Premeditação: Os investigadores buscam apurar se o crime foi premeditado ou cometido de forma impulsiva. Cleber e Daiane mantinham conflitos há mais de um ano devido a questões administrativas no condomínio, com pelo menos 12 processos judiciais envolvendo ambas as partes. A família da vítima alega que o síndico desligava propositalmente a energia dos imóveis administrados por Daiane e que, no dia do desaparecimento, ela teria sido atraída ao subsolo após mais uma queda de energia, o que poderia indicar um planejamento prévio do crime.
Participação do filho do síndico: Maicon Douglas Souza de Oliveira, filho de Cleber, foi preso sob suspeita de ter auxiliado o pai, especialmente na aquisição de um celular. A defesa de Maicon nega veementemente qualquer envolvimento dele na morte da corretora. A Polícia Civil ainda investiga se houve participação direta ou indireta e qual teria sido o papel exato do filho nos eventos.
Local exato do homicídio: Uma das principais incertezas da investigação é o local preciso onde Daiane foi morta. A Polícia Civil avalia que a corretora pode ter sido assassinada em um intervalo de aproximadamente oito minutos no dia 17 de dezembro de 2025, com base na análise de imagens de câmeras de segurança. Ainda não está definido se o disparo ocorreu dentro do prédio ou em outro ponto, possivelmente no local onde o corpo foi encontrado.
Arma do crime: Após a confirmação de que a morte foi causada por um tiro na cabeça, a polícia concentra esforços na localização da arma utilizada. Cleber teria indicado que jogou a arma de uma ponte próxima ao local onde o corpo foi abandonado, segundo relatos da família da vítima. Ainda não há confirmação oficial sobre buscas nesse local. Caso a arma seja encontrada, ela passará por exame balístico para verificar se é compatível com o projétil retirado do corpo de Daiane. Uma perícia realizada no prédio em 30 de janeiro incluiu simulações de disparos para auxiliar na investigação.
Contexto do caso e desfecho trágico
A corretora Daiane Alves Souza desapareceu na noite de 17 de dezembro, quando desceu ao subsolo do Edifício Ametista Tower, localizado dentro do Residencial Golden Thermas, onde morava e administrava seis imóveis da família. Sua filha, uma adolescente de 17 anos, reside com a corretora, mas não estava no prédio no dia do desaparecimento.
Na época do desaparecimento, a família relatou que vídeos enviados por Daiane para uma amiga mostravam a corretora deixando a porta aberta ao entrar no elevador, indicando que ela tinha a intenção de retornar rapidamente. Quase um mês após o desaparecimento, uma força-tarefa foi criada para investigar o caso. Cleber foi ouvido durante as diligências da Polícia Civil, que entrevistou cerca de 22 pessoas. Inicialmente, ele negou qualquer envolvimento no desaparecimento da corretora.
Daiane foi velada e enterrada no Cemitério Parque dos Buritis, na quarta-feira, 4 de fevereiro, em Uberlândia (MG), em uma cerimônia marcada por forte comoção de familiares e amigos. O caso continua a mobilizar as autoridades e a comunidade local, enquanto a justiça busca respostas para as muitas perguntas que ainda cercam este trágico episódio.



