Síndica de condomínio em Araçatuba é indiciada por falsificar assinaturas em assembleia
A Polícia Civil de Araçatuba, no interior de São Paulo, concluiu inquérito e indiciou uma síndica de condomínio após ela confessar ter falsificado assinaturas de moradores durante uma assembleia que aprovou a instalação de um sistema de energia fotovoltaica no local. O caso, que envolve um investimento de R$ 209 mil, foi denunciado por residentes e investigado pelo delegado Pedro Paulo Negri, com laudos periciais confirmando as falsificações.
Confissão e detalhes do crime
Em depoimento à polícia em 27 de janeiro de 2026, a síndica admitiu que moradores cujas assinaturas foram falsificadas não tinham conhecimento do fato e não participaram da assembleia. Ela reconheceu falhas no controle da votação e afirmou ter assinado a lista de presença com e sem procuração, embora não conseguisse recordar todos os nomes. Inicialmente, ela mencionou que 50% das assinaturas, o que representaria cerca de 416 moradores em um condomínio com 832 apartamentos, foram falsificadas, mas esse número não foi confirmado no inquérito final.
O delegado destacou no documento que a síndica, na qualidade de administradora, inseriu declarações falsas na ata de assembleia e lista de presença, criando obrigações financeiras e prejudicando os direitos dos condôminos. Ela foi indiciada pelo crime de falsidade ideológica, e o caso agora será encaminhado ao Ministério Público para análise de possível denúncia à Justiça.
Denúncia e investigação
O inquérito policial foi instaurado em 16 de dezembro de 2025 após moradores procurarem a polícia. Uma das proprietárias, Adriana Martins, de 55 anos, que não reside em Araçatuba e tem seu apartamento alugado, foi alertada por uma vizinha sobre sua assinatura falsa no documento. "Uma moradora do condomínio viu o meu nome escrito e sabia que eu não moro em Araçatuba. Ela me perguntou se eu estava na cidade e se eu tinha ido na assembleia", contou Adriana, que então registrou um boletim de ocorrência com orientação de um advogado da família.
O condomínio, localizado no bairro Umuarama, é composto por 26 blocos e 832 apartamentos. Os moradores são representados pelo advogado Edpo Carlos Da Silva Ferreira, e o projeto de energia solar, aprovado na assembleia fraudulenta, envolvia um custo significativo para a comunidade.
Próximos passos e implicações
Com a conclusão do inquérito na sexta-feira (20), a síndica aguarda a decisão do Ministério Público sobre a formalização da denúncia. O caso destaca vulnerabilidades em processos condominiais e a importância da transparência em assembleias, especialmente em decisões que envolvem grandes investimentos. A defesa da síndica foi procurada, mas não se manifestou até a última atualização da reportagem, deixando questões em aberto sobre as motivações e consequências legais do ato.



