Servidor do IFPR é réu por apologia ao nazismo e ameaças em redes sociais
Servidor do IFPR réu por apologia ao nazismo

Um servidor público do Instituto Federal do Paraná (IFPR) se tornou réu e será levado a julgamento por suspeita de cometer crimes de apologia ao nazismo e de ameaça. A denúncia do Ministério Público do Paraná (MP-PR) foi aceita pelo Tribunal de Justiça do Estado (TJ-PR) nesta quinta-feira (15).

Detalhes da investigação e padrão criminoso

Phetronio Paulo de Medeiros, de 40 anos, foi preso de forma preventiva na tarde do dia 31 de dezembro de 2025, véspera do Réveillon. Ele é técnico em contabilidade do campus do IFPR na cidade de Irati, mas foi afastado de suas funções de maneira cautelar.

Segundo o delegado Rafael Rybandt, responsável pelo caso, as investigações da Polícia Civil identificaram que o homem mantinha diversos perfis em redes sociais, com pequenas variações no nome. As postagens com conteúdo de apologia ao nazismo e ameaças eram intensificadas em datas próximas ao Natal e ao Réveillon.

"Como nessas datas há mais aglomerações de pessoas, muitos ataques de ódio são programados para elas", explicou o delegado ao g1. O material postado incluía o uso da cruz suástica e expressões como "Heil, Hitler", além de frases de ameaça, a exemplo de "Vem muita desgraça e morte para todos".

Os crimes mais recentes, que ocorreram entre outubro e dezembro de 2025, são enquadrados na Lei 7.716/89. A legislação prevê pena de dois a cinco anos de reclusão para quem veicular símbolos nazistas com o objetivo de divulgar a ideologia.

Antecedentes e trajetória do acusado

Este não é o primeiro processo do tipo contra Phetronio. Ele já possui uma condenação anterior pelo mesmo crime, registrada anos atrás no Rio Grande do Sul. Natural do Rio Grande do Norte, o servidor tem 40 anos e morou em vários estados antes de se fixar no Paraná.

Sua trajetória profissional inclui passagem pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), onde atuou como professor e técnico. Em 2019, mudou-se para o Rio Grande do Sul para trabalhar como técnico em contabilidade na Universidade Federal de Pelotas (UFPel), permanecendo lá até 2024, quando se transferiu para o IFPR em Irati.

No processo atual, Phetronio não possui defesa constituída. A decisão de decretar sua prisão preventiva levou em conta a gravidade dos atos, a reiteração delitiva e o fato de ele ser servidor público vinculado a uma instituição federal de ensino, o que demandou uma resposta policial urgente.

Posicionamento do IFPR e processo administrativo

O Instituto Federal do Paraná emitiu uma nota oficial lamentando o episódio e informando sobre as medidas tomadas. O servidor foi afastado cautelarmente no dia 5 de janeiro, por tempo indeterminado, mas continuará recebendo seu salário normalmente durante o andamento do processo administrativo disciplinar, que foi aberto pela instituição.

O IFPR explicou que Phetronio não ingressou por meio de concurso público direto, mas através de um processo de redistribuição de servidores entre instituições federais de ensino, regido por portaria do Ministério da Gestão e Inovação (MGI). Esse procedimento, segundo o Instituto, não exige a solicitação de antecedentes criminais.

"Os processos de redistribuição tramitam em ambas as Instituições, a de origem e a de destino, neste caso, UFPel e IFPR e são finalizadas no âmbito do MEC", detalhou a nota. O órgão também afirmou que, assim que tomou conhecimento das postagens, notificou a polícia para as providências cabíveis.

Em sua manifestação, a reitoria do IFPR reforçou que repudia veementemente qualquer forma de discriminação, apologia ao nazismo, xenofobia, misoginia, homofobia, racismo ou preconceito religioso.

A Polícia Civil do Paraná reafirmou seu compromisso no combate a crimes de ódio e intolerância e solicitou a colaboração da população. Denúncias podem ser feitas de forma anônima pelos telefones 197 (Polícia Civil) e 181 (Disque-Denúncia).