Professor da USP é exonerado após denúncias de assédio sexual por 16 alunas
Professor da USP exonerado por assédio sexual a 16 alunas

Professor da USP é exonerado após múltiplas denúncias de assédio sexual

O professor José Mauricio Rosolen, do departamento de Química da Universidade de São Paulo (USP), campus de Ribeirão Preto, foi oficialmente exonerado de suas funções após graves acusações de assédio sexual apresentadas por pelo menos dezesseis alunas. As vítimas relataram uma série de comportamentos inadequados, incluindo toques inapropriados, convites persistentes para viagens e passeios, além de atos de assédio moral quando rejeitavam suas investidas.

Processo administrativo e possibilidade de recurso

A exoneração do docente foi publicada no Diário de Justiça do estado na última segunda-feira, dia 23 de março de 2026. A partir dessa data, Rosolen tem um prazo de trinta dias para recorrer administrativamente da decisão que o demitiu. Caso o veredicto não seja alterado internamente, ele ainda poderá levar o caso à Justiça comum para tentar reverter a situação.

A reportagem tentou contato com o professor através de seu e-mail funcional, que permanece ativo, mas não obteve resposta até o momento. O espaço para manifestação segue aberto conforme protocolo institucional.

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Investigação criminal em andamento

Além das consequências administrativas, José Mauricio Rosolen ainda enfrenta responsabilização criminal pelos episódios denunciados. A Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Ribeirão Preto conduziu investigações que foram finalizadas em setembro de 2025, com o caso sendo encaminhado ao Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).

O TJSP informou apenas que o processo está sob segredo de justiça, sem esclarecer se já houve denúncia formal contra o docente. Rosolen já estava afastado de suas atividades de ensino há vários meses antes da exoneração definitiva.

Trajetória acadêmica e profissional do docente

José Mauricio Rosolen possui uma extensa carreira acadêmica, com doutorado em ciências químicas pela Universita Degli Studi Di Roma La Sapienza, na Itália. Ele atuava como livre-docente da USP há exatamente vinte e dois anos, desde 2004, desenvolvendo pesquisas especializadas em baterias com cooperação internacional, conforme registrado em seu currículo Lattes.

Os comportamentos de assédio relatados podem ser enquadrados tanto como crime de assédio sexual, previsto no artigo 216 do Código Penal com pena máxima de dois anos, quanto como importunação sexual, definida no artigo 215-A com pena de até cinco anos. A distinção depende fundamentalmente da existência de relação hierárquica entre as partes envolvidas.

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