Brasileiro procurado pela Justiça mineira é capturado na Bolívia e enviado a presídio de segurança máxima
A Justiça de Minas Gerais determinou, nesta terça-feira (18), que Douglas de Azevedo Carvalho, conhecido como "Mancha", seja encaminhado a um presídio de segurança máxima. A decisão foi tomada durante audiência de custódia realizada em Belo Horizonte, marcando o desfecho de uma operação internacional que resultou na captura do foragido.
Operação conjunta resulta em prisão em condomínio de alto padrão
Douglas foi preso no domingo (15) na Bolívia, onde vivia em um condomínio de alto padrão em Santa Cruz de la Sierra. A captura ocorreu em uma operação conjunta das polícias brasileira e boliviana, demonstrando a cooperação internacional no combate ao crime organizado. Durante a busca no imóvel, as autoridades encontraram:
- Uma identidade boliviana falsificada
- Um passaporte italiano falsificado
- Aproximadamente 60 mil dólares em dinheiro
O suspeito estava foragido desde julho de 2024 e vivia com a esposa usando documentos falsos, tentando escapar da ação da Justiça brasileira.
Audiência por videoconferência e legalidade da prisão
A audiência de custódia foi realizada por videoconferência, medida tomada por causa dos riscos de segurança no transporte do preso. Segundo a juíza responsável pelo caso, não houve irregularidades na prisão nem relatos de abuso durante a operação. Tanto o Ministério Público quanto a defesa concordaram que a prisão foi legal, estabelecendo as bases para o próximo capítulo do processo judicial.
Em nota, a defesa de Douglas Azevedo afirmou que, apesar da repercussão da operação que resultou na prisão do cliente, o processo ao qual ele responde em Minas Gerais ainda está em fase inicial, de resposta à acusação, sem início da instrução criminal. Os advogados destacaram que Douglas já esteve preso no Complexo Penitenciário Nelson Hungria e não possui registros de faltas disciplinares, expressando confiança nas unidades prisionais do estado para o cumprimento da medida determinada pela Justiça.
Processo investiga organização criminosa ligada ao PCC
Douglas estava foragido por causa de um mandado de prisão expedido em uma ação penal que investiga a atuação de uma organização criminosa com 67 réus, apontados como ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A denúncia foi aceita em 2024 e investiga crimes como:
- Tráfico de drogas
- Lavagem de dinheiro
O caso tramita na 4ª Vara de Tóxicos, Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Valores de Belo Horizonte. Segundo o processo, ele é apontado como um dos integrantes de destaque do grupo, com atuação que iria além de Minas Gerais. A prisão preventiva foi decretada por risco de fuga e continuidade das atividades criminosas, fundamentos que se mostraram pertinentes diante da fuga do réu.
Histórico de prisões e fuga recente
De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp-MG), Douglas já esteve preso outras vezes. A última prisão ocorreu em junho de 2023, no Complexo Penitenciário Nelson Hungria, na Grande Belo Horizonte. Em dezembro daquele ano, ele conseguiu autorização da Justiça para cumprir prisão domiciliar, com uso de tornozeleira eletrônica.
Em julho de 2024, ele descumpriu as regras impostas, perdeu o benefício e teve a prisão preventiva decretada. Desde então, era considerado foragido e passou a integrar a lista de procurados do Programa Captura, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, até ser localizado e preso na Bolívia.
Com a decisão da audiência de custódia, Douglas segue à disposição da Justiça de Minas Gerais, que dará continuidade ao processo criminal que investiga sua participação na organização criminosa. O caso representa um marco na cooperação internacional contra o crime organizado e demonstra a eficácia das medidas de busca e captura de foragidos.



