Justiça do Rio decreta prisão preventiva do rapper Oruam após STJ revogar habeas corpus
Prisão preventiva de Oruam decretada após revogação de habeas corpus

Justiça do Rio decreta prisão preventiva do rapper Oruam após STJ revogar habeas corpus

A Justiça do Rio de Janeiro determinou nesta terça-feira, 3 de fevereiro de 2026, a prisão preventiva do rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido artisticamente como Oruam. A decisão foi proferida pela juíza Tula Corrêa de Mello, da 3ª Vara Criminal, após o Superior Tribunal de Justiça (STJ) revogar o habeas corpus que mantinha o artista em liberdade com tornozeleira eletrônica.

Violação da medida cautelar e argumentos da defesa

Segundo a determinação do STJ, Oruam deixou a tornozeleira eletrônica sem bateria por intervalos de até 10 horas, entre 30 de setembro e 12 de novembro do ano passado, o que configurou uma violação clara da medida cautelar imposta. O relator do caso, ministro Joel Ilan Paciornik, destacou que essa inobservância reiterada não representa uma mera irregularidade administrativa, mas sim um comportamento que revela risco concreto à ordem pública e à aplicação da lei penal.

Em contrapartida, a defesa do rapper alegou que as ações demonstram apenas descarregamento de bateria, sem qualquer tipo de desrespeito geral ou específico às cautelares. Os advogados indicaram ainda que o equipamento apresentava problemas técnicos e que Oruam foi chamado à Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) para realizar a troca do dispositivo. A defesa planeja recorrer da decisão que determinou a prisão preventiva.

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Acusações graves e histórico do caso

Oruam é acusado por uma série de crimes graves, incluindo:

  • Tráfico de drogas
  • Associação ao tráfico
  • Resistência e desacato
  • Dano, ameaça e lesão corporal
  • Duas tentativas de homicídio qualificadas

O caso remonta a 22 de julho do ano passado, quando agentes policiais foram até a casa do artista, localizada no Joá, na Zona Sul do Rio de Janeiro, para cumprir um mandado de busca e apreensão contra um menor acusado de atos infracionais análogos a roubo e tráfico de drogas. De acordo com a Polícia Civil, o adolescente seria integrante de uma facção criminosa e atuava como segurança pessoal do traficante Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca.

Durante a operação, Oruam teria incitado a resistência policial ao lado de aproximadamente oito pessoas. No ano passado, o rapper já havia ficado 69 dias preso no Complexo Penitenciário de Gericinó, no Rio de Janeiro, antes de obter a liberdade com tornozeleira eletrônica.

Contexto familiar e implicações da decisão

O músico de sucesso é filho de Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP, preso há quase três décadas e considerado um dos chefes históricos do Comando Vermelho. O ministro Paciornik salientou em sua decisão que a prisão preventiva não representa uma antecipação de pena, mas sim uma medida necessária para garantir que o devido processo penal seja cumprido sem intercorrências.

O relator do STJ afirmou ainda que o mau uso do dispositivo eletrônico e o desrespeito do acusado para com as medidas cautelares impostas levam a crer que há risco real de fuga por parte do rapper. Com a decisão desta terça-feira, Oruam pode retornar ao sistema prisional caso um novo mandado de prisão seja expedido pelas autoridades competentes.

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