Porteiro sofre ofensas racistas de alunos em escola particular de Campinas e é demitido após denúncia
Um caso de racismo envolvendo estudantes de uma escola particular de Campinas, no interior de São Paulo, veio à tona após denúncia de um ex-porteiro. Rodnei Ferraz, que trabalhava na unidade há quatro meses, relatou à Polícia Civil ter sido alvo de xingamentos como "negro sujo", "macaco" e "sub-raça" por três adolescentes do ensino médio. O episódio ocorreu em dezembro de 2025, mas o boletim de ocorrência foi acessado pelo g1 nesta terça-feira (10).
Ofensas ocorreram durante provas de recuperação
Segundo o relato de Rodnei, os estudantes estavam na escola para fazer provas de recuperação quando começaram a fazer barulho e a entrar repetidamente em um banheiro. Ao chamar a atenção dos jovens, ele foi surpreendido com as ofensas racistas. "Eles estavam fazendo muita baderna, um entra e sai constante, e nisso eles entraram num banheiro e dentro do banheiro começou uma gritaria, e eu chamando a atenção. (...) Mas aí ele chegou e falou: 'eu pago o seu salário, você é um sub-raça, um negro sujo e um macaco'", detalhou a vítima no boletim de ocorrência.
Com 20 anos de experiência na área, Rodnei expressou seu constrangimento e revolta com a situação. "A educação vem de berço e, naquele momento, eu me senti muito constrangido. É revoltante, porque você se sente frágil e impotente com essa situação ridícula que aconteceu comigo", desabafou. Após denunciar o fato à direção da escola, o porteiro acabou sendo demitido, o que agravou ainda mais o caso.
Caso registrado na delegacia e deve ser investigado
O incidente foi registrado na delegacia de Campinas e deve passar por investigação policial. A escola envolvida, identificada como Colégio Objetivo, foi procurada para comentar o caso, mas não enviou um posicionamento até a publicação desta reportagem. A direção do estabelecimento deve se manifestar em breve, e as informações serão atualizadas conforme necessário.
O episódio ocorre em um contexto de aumento nas denúncias de racismo no estado de São Paulo. Dados do Disque 100 indicam que, em 2025, foram registradas 1.088 denúncias, representando uma alta de 20,2% em comparação com o ano anterior. Em Campinas, especificamente, houve 26 registros no ano passado, o que equivale a pouco mais de duas ocorrências por mês.
Impacto emocional e social do racismo
Rodnei Ferraz destacou a gravidade do ocorrido, especialmente considerando a idade dos agressores. "Eu dei um choque e chamei minha rendição para me render, para não ficar perto dessas crianças, que eles chamam de criança, mas com 17, 16 anos, acho que já tem uma visão", afirmou. Sua experiência reflete um problema mais amplo na sociedade, onde atos de discriminação racial continuam a afetar vítimas em diversos ambientes, incluindo instituições educacionais.
Este caso serve como um alerta para a necessidade de medidas mais efetivas no combate ao racismo, tanto no âmbito escolar quanto no jurídico. A comunidade de Campinas e região acompanha de perto as investigações, esperando por justiça e por ações que promovam um ambiente mais respeitoso e inclusivo para todos.