Policial penal é preso por usar viatura oficial para transporte de drogas em Mato Grosso do Sul
O policial penal Antonio Fernando Martins da Silva, que atuava como comandante do Grupo Tático de Escolta (GTE), foi dispensado do cargo nesta sexta-feira (20), após ser preso sob suspeita de utilizar viatura oficial para transportar drogas no estado de Mato Grosso do Sul. A prisão ocorreu no contexto da Operação Rota Blindada, deflagrada na quinta-feira (19) em Corumbá pela Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar).
Esquema de 'frete seguro' para driblar fiscalização
Segundo as investigações conduzidas pela Denar, o policial penal utilizava sua função e uma viatura caracterizada para realizar o transporte de entorpecentes. A estratégia, conhecida no meio criminoso como 'frete seguro', consistia em empregar veículo oficial para reduzir significativamente o risco de fiscalização nas rodovias. Conforme apontado pelos investigadores, a estrutura era utilizada para conferir aparência de legalidade ao transporte e evitar abordagens policiais.
A operação resultou no cumprimento de dois mandados de prisão preventiva e seis mandados de busca e apreensão nas cidades de Campo Grande e Corumbá. A ação contou com o apoio fundamental do Grupo Armado de Repressão a Roubos, Assaltos e Sequestros (Garras), da 1ª Delegacia de Polícia de Corumbá e da Delegacia de Polícia de Ladário.
Investigação apura tráfico entre Corumbá e Campo Grande
A investigação da Denar tem como foco principal a atuação de um grupo suspeito de envolvimento com o tráfico de drogas entre as cidades de Corumbá e Campo Grande. As medidas judiciais que envolveram o policial penal foram acompanhadas de perto pela Corregedoria da Polícia Penal, que atuou para garantir a regularidade e a transparência de todos os procedimentos.
A operação foi coordenada pela Denar, com suporte essencial da Gerência de Inteligência do Sistema Penitenciário (Gisp), que colaborou ativamente com o compartilhamento de informações estratégicas consideradas cruciais para o desfecho da ação.
Posicionamento institucional e medidas administrativas
Em nota oficial, as forças de segurança envolvidas afirmaram que a operação representa mais uma etapa das ações permanentes de combate ao tráfico de drogas no estado. O comunicado reforça o compromisso das instituições em responsabilizar todos os envolvidos, incluindo agentes públicos que eventualmente utilizem seus cargos para a prática de atividades ilegais.
A Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) se manifestou sobre o caso, informando que a conduta investigada configura um desvio individual absolutamente incompatível com os princípios que regem a Polícia Penal. A instituição ressaltou que tal comportamento não reflete a postura institucional.
A Corregedoria-Geral da Agepen já instaurou procedimento administrativo para apuração rigorosa dos fatos, com a adoção de todas as medidas administrativas e legais cabíveis. O processo seguirá os trâmites legais estabelecidos, assegurando o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório.
Política de combate a desvios de conduta
A Agepen destacou que mantém uma política permanente e implacável de combate a desvios de conduta, com fiscalização contínua, corregedoria atuante e mecanismos internos de controle robustos. A instituição afirmou que eventuais irregularidades são tratadas com absoluto rigor e transparência.
A agência atua pautada na integridade institucional, legalidade e confiança da sociedade, não compactuando com qualquer prática que possa comprometer a missão da Polícia Penal. A instituição também trabalha de forma integrada com as demais forças de segurança, inclusive por meio de seu serviço de inteligência, mantendo cooperação permanente no enfrentamento ao crime e no combate a qualquer prática ilícita.
Até a última atualização desta reportagem, o g1 não havia conseguido localizar a defesa do policial penal Antonio Fernando Martins da Silva para obter um posicionamento sobre as acusações.



