Operação da Polícia Civil desmantela núcleo político do Comando Vermelho no Amazonas
Polícia desmantela núcleo político do Comando Vermelho no Amazonas

Operação da Polícia Civil desmantela núcleo político do Comando Vermelho no Amazonas

A Polícia Civil do Amazonas deflagrou nesta sexta-feira uma operação de grande porte contra um esquema criminoso estruturado pelo Comando Vermelho (CV) que contava com a colaboração de agentes públicos e um núcleo político atuante no estado. A ação, que resultou em 23 mandados de prisão em seis Estados diferentes, já levou à prisão de 14 pessoas, incluindo figuras ligadas ao poder público local.

Esquema milionário com ramificações políticas

Segundo as investigações, a organização criminosa atuava de forma extremamente organizada para trazer drogas da Colômbia e distribuí-las pelo país a partir do Amazonas. A estimativa da polícia é que a quadrilha movimentou cerca de R$ 70 milhões desde 2018, o equivalente a aproximadamente R$ 9 milhões por ano.

O esquema contava com uma cadeia de comando bem definida, dividida em operadores logísticos, financiadores e colaboradores que facilitavam as atividades criminosas. "Eles eram divididos de maneira organizada, com tarefas delimitadas e núcleos operacionais específicos", explicaram as autoridades.

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Empresas de fachada e infiltração no poder público

Para dar suporte às atividades ilícitas, a facção criou empresas de fachada nos ramos de transporte e locação. Estas empresas serviam para:

  • Ocultar a movimentação financeira proveniente do tráfico de drogas
  • Mascarar o transporte das drogas através de cobertura logística
  • Dificultar o rastreamento pelas autoridades através do aluguel de carros em nome de terceiros

Análises financeiras indicaram incompatibilidade entre o volume financeiro movimentado e a capacidade econômica declarada pelos envolvidos, reforçando as suspeitas sobre a origem ilícita dos recursos.

Infiltração em órgãos públicos e acesso a informações sigilosas

Um dos aspectos mais preocupantes da investigação foi a descoberta de que o esquema contava com a colaboração de agentes públicos que teriam facilitado o acesso a informações sigilosas sobre investigações policiais. Segundo a polícia, havia indícios de tentativas de obtenção indevida de dados sigilosos relacionados a procedimentos criminais, com o objetivo de antecipar ações policiais e judiciais que poderiam prejudicar o tráfico.

Entre os presos estão:

  1. Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas
  2. Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas
  3. Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil e integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus, que foi chefe de gabinete do prefeito da capital até 2023
  4. Josafá de Figueiredo Silva – ex-assessor parlamentar
  5. Osimar Vieira Nascimento – policial militar

Origem da investigação e apreensões

A investigação teve início após uma apreensão de 500 tabletes de skunk e a prisão de um homem em flagrante. Na ocasião, a polícia identificou uma estrutura de transporte da droga que incluía:

  • Um carro utilitário para transporte da droga
  • Duas embarcações
  • Sete fuzis
  • Celulares apreendidos

A partir dessa primeira apreensão, as investigações revelaram toda a complexa estrutura do esquema criminoso, que contava com rotas definidas para trazer a droga da Colômbia e distribuir os entorpecentes pelo país a partir do Amazonas.

A polícia ainda não detalhou a participação específica de cada um dos alvos no esquema, mas a operação continua em andamento com buscas e diligências nos seis Estados onde foram expedidos os mandados de prisão.

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