Polícia Civil desarticula núcleo político do Comando Vermelho no Amazonas com oito prisões
A Polícia Civil do Amazonas realizou uma operação de grande porte para desmantelar um suposto "núcleo político" vinculado à facção criminosa Comando Vermelho. Durante a ação, foram efetuadas oito prisões no estado, totalizando 14 detenções em diferentes unidades da federação brasileira. A investigação aponta que o grupo utilizava influência em órgãos públicos para obter informações privilegiadas e facilitar atividades ilícitas da organização criminosa.
Perfil dos presos no Amazonas revela infiltração em instituições públicas
Entre os indivíduos detidos no Amazonas, destacam-se figuras com vínculos a instituições estatais e cargos de confiança:
- Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas, acusado de receber pagamentos para fornecer dados sigilosos de processos em segredo de Justiça, beneficiando diretamente o grupo criminoso.
- Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas, com relatórios de inteligência financeira indicando transações milionárias ligadas ao esquema.
- Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil que integra a Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus e foi chefe de gabinete do prefeito David Almeida, suspeita de movimentar aproximadamente R$ 1,5 milhão em favor da facção através de empresas de fachada.
- Alcir Queiroga Teixeira Júnior – investigado por participação no esquema financeiro que canalizava valores suspeitos para a organização criminosa.
- Josafá de Figueiredo Silva – ex-assessor parlamentar de vereador, identificado como parte da rede de influência do grupo.
- Osimar Vieira Nascimento – policial militar preso sob suspeita de envolvimento com as atividades do núcleo político em investigação.
- Bruno Renato Gatinho Araújo – preso no Amazonas e incluído na lista de investigados pela operação.
- Ronilson Xisto Jordão – detido em Itacoatiara por suposta participação no esquema criminoso.
Medidas judiciais abrangem múltiplos estados e bloqueiam recursos financeiros
Além das prisões, a Justiça expediu 24 mandados de busca e apreensão, autorizando também o bloqueio de contas bancárias, sequestro de bens e quebra de sigilo financeiro. As ordens estão sendo cumpridas em Manaus (AM), Belém (PA), Ananindeua (PA), Belo Horizonte (MG), Fortaleza (CE), Teresina (PI) e Estreito (MA). A polícia identificou movimentações financeiras das conexões operacionais do esquema nesses estados durante as investigações.
Segundo as apurações, a organização criminosa movimentou cerca de R$ 70 milhões, equivalente a aproximadamente R$ 9 milhões por ano desde 2018, atuando em conjunto com traficantes do Amazonas e de outras regiões do país.
Esquema utilizava empresas de fachada para tráfico internacional de drogas
As investigações revelam que os suspeitos facilitavam a contratação de empresas de fachada nos setores de transporte e logística. Na prática, essas empresas eram utilizadas para adquirir drogas na Colômbia e enviá-las a Manaus. Da capital amazonense, os entorpecentes seriam distribuídos para outras unidades da federação, estabelecendo uma rede de distribuição em escala nacional.
Os investigados devem responder por crimes como organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e violação de sigilo funcional.
Início das investigações partiu de apreensão de drogas e armas
As apurações da Polícia Civil tiveram início após a apreensão de 500 tabletes de maconha skunk, sete fuzis de uso restrito, duas embarcações utilizadas no transporte da droga, um veículo utilitário empregado na logística terrestre, além de aparelhos celulares. Um dos envolvidos foi preso em flagrante na ocasião, dando origem a um inquérito que visava identificar a cadeia de comando, operadores logísticos, financiadores e colaboradores do esquema criminoso.
A apuração demonstrou que o grupo atuava de forma organizada, com divisão de tarefas e estruturação em núcleos operacional, financeiro e de apoio logístico. A organização criminosa utilizava rotas fluviais e terrestres para o transporte de entorpecentes, bem como veículos alugados em nome de terceiros, com o objetivo de dificultar o rastreamento pelas autoridades.
Também foi identificado o uso de empresas formalmente registradas nos ramos de transporte e locação, com indícios de funcionamento apenas documental, utilizadas para a movimentação e ocultação de valores de origem ilícita. Relatórios de inteligência financeira apontaram movimentações bancárias atípicas de elevado valor, com transferências entre investigados, empresas vinculadas ao grupo e pessoas situadas em diversos estados da federação.
As análises indicam incompatibilidade entre o volume financeiro movimentado e a capacidade econômica declarada pelos envolvidos. Os elementos reunidos apontam, ainda, indícios de tentativas de obtenção indevida de informações sigilosas relacionadas a procedimentos criminais, com o objetivo de antecipar ações policiais e judiciais, fato que segue sob apuração específica.



