Pintor desaparece após ação policial conjunta no oeste da Bahia
O pintor Janderson Tiago Bernardo de Araújo, de 33 anos, está desaparecido desde o dia 4 de fevereiro, após uma ação policial realizada em Luís Eduardo Magalhães, município localizado no oeste do estado da Bahia. Segundo relatos familiares, ele foi agredido e retirado à força de sua residência por equipes da Companhia Independente de Policiamento Especializado (Cipe) Cerrado, da Polícia Militar da Bahia, com apoio adicional de policiais militares do estado vizinho do Tocantins.
Registros de segurança e denúncia familiar
Câmeras de segurança instaladas nas proximidades da residência do pintor registraram a movimentação de viaturas policiais e de homens fortemente armados em frente ao imóvel durante o ocorrido. Desde o momento da abordagem, Janderson não foi mais visto por familiares ou conhecidos, levantando sérias preocupações sobre seu paradeiro.
A família do desaparecido já registrou um boletim de ocorrência por desaparecimento na delegacia da cidade, buscando respostas sobre o que aconteceu com o pintor. Conforme informações da TV Oeste, afiliada da Rede Bahia na região, a Polícia Civil da Bahia confirmou ter acessado as imagens das câmeras de segurança e instaurou um inquérito oficial para apurar todos os detalhes do caso, que está sendo tratado pelas autoridades como um possível sequestro.
Investigações em andamento e versões conflitantes
O delegado titular da Delegacia Territorial de Luís Eduardo Magalhães, Joaquim Rodrigues, afirmou à imprensa local que testemunhas já foram ouvidas durante as investigações preliminares e que a participação de policiais tanto da Cipe Cerrado quanto do estado do Tocantins foi efetivamente constatada. Segundo suas declarações, a investigação completa foi encaminhada para a Corregedoria da Polícia Militar e também para o Ministério Público do Estado da Bahia, visando uma apuração mais aprofundada.
De acordo com informações oficiais da polícia, Janderson possuía um mandado de prisão em aberto no momento da ação. Ele já havia sido preso anteriormente por roubo à mão armada e estava cumprindo pena em regime aberto desde o ano de 2021. No entanto, a advogada que representa a família, Renata Araújo, afirmou categoricamente que desconhece qualquer mandado de prisão ou investigação criminal em curso contra seu cliente, criando uma contradição significativa entre as versões apresentadas.
Notas oficiais das corporações policiais
Em nota oficial divulgada à imprensa, a Polícia Militar da Bahia informou que instaurou um inquérito interno por meio da Corregedoria para investigar minuciosamente a conduta dos policiais baianos que atuaram durante a ocorrência. A corporação confirmou a participação em uma ação conjunta com a Polícia Militar do Tocantins, explicando que o objetivo operacional era localizar suspeitos envolvidos em um assalto a uma fazenda no município de Almas, localizado no estado do Tocantins.
A PM baiana ainda esclareceu que a apuração interna foi aberta especificamente após receber denúncias sobre o suposto desaparecimento de um dos investigados durante a operação. Em sua nota, a instituição reafirmou seu compromisso com a legalidade, a transparência e a ética institucional, colocando-se à disposição das autoridades competentes para todos os esclarecimentos necessários.
Também em nota oficial, o Ministério Público do Estado da Bahia informou que acompanha atentamente o caso, que atualmente tramita sob sigilo judicial para preservar a integridade das investigações. Quando procurada pelo g1, a Polícia Militar do Tocantins igualmente confirmou sua participação em uma ação integrada com a PM da Bahia, com o mesmo objetivo de localizar suspeitos de envolvimento no roubo ocorrido em propriedade rural no município de Almas.
A corporação tocantinense acrescentou que, em relação ao desaparecimento de um dos investigados, todos os fatos relacionados ao caso estão sob apuração pelas autoridades competentes do Estado da Bahia, que são as responsáveis primárias pela investigação criminal. A PM do Tocantins também reafirmou seu compromisso com a ética, a responsabilidade institucional e a estrita observância da legislação vigente.
Contexto operacional detalhado
Segundo a explicação detalhada fornecida pela Polícia Militar da Bahia, na tarde do dia 4 de fevereiro de 2026, guarnições da Cipe Cerrado foram acionadas para prestar apoio operacional a policiais militares do Estado do Tocantins. Esta cooperação ocorreu no âmbito de diligências relacionadas a um roubo ocorrido na Fazenda Córrego do Rancho, localizada na zona rural do município de Almas.
De acordo com informações repassadas pela corporação coirmã, os indivíduos suspeitos de envolvimento na ação criminosa – que resultou na subtração de armas de fogo de grosso calibre, defensivos agrícolas, ferramentas agrícolas e um veículo – poderiam estar se escondendo na região do município de Luís Eduardo Magalhães. Diante dessa inteligência, equipes da Cipe Cerrado atuaram em apoio às diligências, realizando averiguações e incursões em áreas previamente indicadas, conforme um planejamento operacional conjunto estabelecido entre as duas forças policiais.
A PM baiana ressaltou que, durante a ação integrada realizada, os suspeitos alvo da operação não foram localizados pelas equipes. A instauração do Inquérito Policial Militar (IPM) pela Corregedoria ocorreu posteriormente, especificamente em razão das alegações apresentadas por familiares de um dos investigados acerca de seu suposto desaparecimento durante os procedimentos policiais.



