Piloto da Latam preso em Congonhas por chefiar rede de abuso sexual infantil
Piloto preso em avião por rede de abuso infantil

Piloto da Latam é detido dentro de avião no aeroporto de Congonhas

Um piloto da companhia aérea Latam, identificado como Sérgio Antônio Lopes, de 60 anos, foi preso temporariamente na manhã de segunda-feira (9) dentro de um avião no Aeroporto de Congonhas, localizado na Zona Sul de São Paulo. A prisão ocorreu após uma investigação de aproximadamente três meses, que apontou o suspeito como chefe de uma rede de abuso sexual infantil.

Detalhes da operação e crimes investigados

A operação, batizada de Apertem os Cintos, foi deflagrada pela Polícia Civil e investiga crimes como estupro de vulnerável, favorecimento da prostituição e exploração sexual de crianças e adolescentes. Segundo as autoridades, Sérgio Lopes levava vítimas a motéis utilizando documentos de identidade falsos, onde cometia os abusos. Além disso, ele recebia imagens das crianças e adolescentes por meio do WhatsApp, enviadas por mães, avós ou outros responsáveis, em troca de pagamentos via Pix, geralmente no valor de R$ 30, R$ 50 ou R$ 100.

A delegada Ivalda Aleixo, chefe do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), explicou que a prisão foi realizada no aeroporto devido à dificuldade de localizar o suspeito em sua residência em Guararema, na Região Metropolitana de São Paulo. "Optamos por pedir a escala para a empresa e identificamos que ele faria um voo hoje. Quando chegamos no aeroporto por volta das 5h30, ele já estava lá. Era uma forma de tentar localizá-lo", afirmou a delegada durante coletiva de imprensa.

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Reação da esposa e contexto familiar

A esposa do piloto, que é psicóloga e está em seu segundo casamento com Sérgio, afirmou à polícia que desconhecia completamente os crimes atribuídos ao marido. Ela relatou que o casal havia retornado recentemente de uma viagem de lua de mel e expressou horror ao tomar conhecimento do caso. "A esposa chegou lá [delegacia], uma cena muito triste de ver. Está horrorizada, se sente culpada de nunca ter percebido. Ela não sabe o que vai ser da vida dela", disse Ivalda Aleixo, destacando o impacto emocional da situação.

Além do piloto, outras pessoas foram detidas na operação. A avó de três vítimas foi presa temporariamente, enquanto a mãe de outra criança foi detida em flagrante por armazenamento e compartilhamento de material de exploração sexual infantil. Até o momento, a polícia identificou dez vítimas no estado de São Paulo, mas investigações indicam que o número pode ser maior, com possíveis vítimas em outros estados, conforme imagens encontradas no celular apreendido com o suspeito.

Resposta da Latam e continuidade das investigações

Em nota oficial, a Latam Airlines Brasil informou que abriu uma apuração interna e está à disposição das autoridades para colaborar com as investigações. A companhia reforçou que repudia veementemente qualquer ação criminosa e segue os mais elevados padrões de segurança e conduta. O voo LA3900, que seria operado pelo piloto preso, decolou e pousou normalmente no horário previsto, sem atrasos.

As provas colhidas até agora sugerem que os crimes integram uma estrutura organizada de exploração sexual infantil, com indícios de habitualidade, divisão de funções e atuação coordenada entre os envolvidos. A polícia continua a apurar com quem o material apreendido era compartilhado, havendo fortes indícios de distribuição para outras pessoas. A defesa dos investigados não havia sido localizada até a última atualização desta reportagem.

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