Piloto é detido dentro de aeronave no aeroporto de Congonhas por suspeita de exploração sexual de crianças
Um piloto com mais de três décadas de experiência na aviação foi preso dentro da cabine de um avião no aeroporto de Congonhas, na capital paulista, após a Justiça decretar sua prisão por suspeita de exploração sexual de crianças e adolescentes. O homem, identificado como Sérgio Antônio Lopes, de 62 anos, estava prestes a levantar voo quando agentes policiais o abordaram e cumpriram o mandado judicial.
Operação policial intercepta suspeito em pleno aeroporto
De acordo com as autoridades, a polícia não conseguiu localizar Sérgio Antônio Lopes em sua residência e, por isso, seguiu até o aeroporto, onde o encontrou já dentro da aeronave. "Seu Sérgio, o senhor está com um mandado de prisão, tá? O senhor sabe o motivo já?", questionou um policial durante a abordagem, ao que o piloto respondeu negativamente. A detenção ocorreu de forma surpreendente, impedindo que o suspeito deixasse o local.
Investigação revela rede criminosa com pelo menos oito anos de atividade
As investigações, conduzidas pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa, indicam que o piloto agia há pelo menos oito anos, explorando sexualmente ao menos dez crianças e adolescentes. A delegada Ivalda Aleixo, responsável pelo caso, explicou que a polícia chegou até o suspeito após o depoimento de uma mãe, que denunciou após flagrar a filha gravando vídeos íntimos para compartilhar em um aplicativo de mensagem.
"Ela surpreendeu a filha fazendo vídeos. Ela não sabia o que estava acontecendo, a filha também não quis falar, começou a chorar. E acabou que a gente fez o boletim, descobriu quem era e começamos essa investigação", relatou a delegada. A partir dessa denúncia, os investigadores descobriram uma rede criminosa que envolvia pagamentos e aliciamento de menores.
Provas encontradas incluem vídeos, pagamentos por PIX e documentos falsos
Durante a operação, a polícia apreendeu o celular do piloto, onde foram encontradas provas de que ele armazenava e compartilhava vídeos de menores. Além disso, os agentes localizaram:
- Recibos de pagamentos realizados por PIX, com valores que variavam de R$ 30 a R$ 100, por imagens das vítimas.
- Uma chave de motel, indicando que o suspeito utilizava esses estabelecimentos para encontros.
- Um RG falso, que ele supostamente usava para entrar com menores em motéis, facilitando a exploração.
Segundo as investigações, o piloto pagava mães, avós ou até mesmo as próprias meninas – com idades entre 8 e 16 anos – para receber material de pornografia infantil. A delegada Ivalda Aleixo detalhou o modus operandi: "Ele se aproximava das mulheres, saía com essas mulheres e, nesse encontro, em um primeiro ou segundo encontro, ele falava: 'Eu tenho interesse na sua filha'".
Outras prisões e depoimentos de menores reforçam gravidade do caso
Além do piloto, a polícia prendeu uma avó, suspeita de aliciar as netas em troca de dinheiro, e a mãe de uma criança, que teria material de pornografia infantil armazenado no celular. Quatro menores foram ouvidos pelas autoridades e relataram como foram abordadas pelo suspeito, reforçando a extensão e a gravidade dos crimes.
A companhia aérea para a qual o piloto trabalhava emitiu uma nota afirmando que está à disposição para colaborar com as investigações e repudia veementemente qualquer ação criminosa. O caso continua sob investigação, com a polícia buscando identificar possíveis outras vítimas e envolvidos na rede de exploração sexual.



