Piloto de avião preso em SP admite à polícia aliciamento de adolescentes em vídeo exclusivo
Piloto preso admite aliciar adolescentes em vídeo à polícia

Piloto de avião é preso em São Paulo após admitir aliciamento de adolescentes em vídeo exclusivo

A prisão de um piloto de avião em São Paulo, nesta semana, revelou um caso grave e perturbador de violência sexual contra menores de idade. O Fantástico obteve acesso exclusivo aos detalhes da investigação e ao vídeo gravado no aeroporto durante a prisão, no qual o acusado, Sérgio Antônio Lopes, de 62 anos, relata às autoridades policiais o conteúdo mantido em seu celular e descreve seu modus operandi.

Operação coordenada no aeroporto de Congonhas

A detenção do piloto ocorreu na segunda-feira passada, em uma operação meticulosamente planejada no saguão do Aeroporto de Congonhas. Agentes policiais se distribuíram por diferentes pontos do terminal até localizarem Sérgio Antônio Lopes dentro da cabine de um avião. "Pega para mim seus objetos. Pede para acionar o piloto de emergência que ele está sendo preso, tá?", ordenou um delegado no momento da abordagem.

O piloto foi conduzido imediatamente para uma sala da delegacia instalada dentro do próprio aeroporto, onde respondeu a perguntas dos agentes. "Você sabe o motivo que a gente está aqui?", questionou um policial. "Sei. Eu quero responder tudo o que for possível", afirmou Sérgio. Quando interrogado sobre envolvimento com menores, ele admitiu: "Saí".

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Revelações chocantes e método criminoso

Durante o interrogatório, o piloto mostrou conteúdos explícitos das vítimas armazenados em seu celular e detalhou como conheceu uma delas: "Conheci ela através da vó dela". Os policiais indagaram onde determinada gravação havia sido realizada, ao que ele respondeu: "Em um motel em Suzano".

Para acessar esses estabelecimentos sem levantar suspeitas, Sérgio utilizava documentos verdadeiros de mulheres adultas. "Ele pedia sempre para as vítimas utilizarem algum acessório para dificultar a visualização pela atendente do motel", explicou a delegada Luciana Peixoto. Segundo a autoridade, muitas das adolescentes relataram que não desejavam realizar os atos ou gravar vídeos, mas eram coagidas e ameaçadas pelo acusado.

Cruzamento de dados e padrão de comportamento

Adolescentes que afirmaram ter sido vítimas do piloto foram ouvidas na Delegacia de Repressão à Pedofilia. A equipe policial cruzou os depoimentos com registros de deslocamento do suspeito, constatando uma coincidência alarmante nas informações. Embora residisse em Guararema, Sérgio circulava frequentemente por São Paulo, especialmente nos aeroportos de Congonhas e Guarulhos.

"Sempre ele tinha desculpa do voo para vir aqui e ter acesso às vítimas", afirmou a delegada Luciana Peixoto. Ela destacou que o piloto chegava a buscar as adolescentes em suas casas ou até mesmo nas escolas. "Ficou claro que os crimes eram cometidos quando ele ia trabalhar. E, provavelmente, ele só estaria com as provas pessoalmente durante esse período".

A companhia aérea para a qual trabalhava demitiu o piloto imediatamente após a prisão. A advogada de defesa declarou ao Fantástico: "O caso segue em segredo de justiça, por força legal e ética, sigo no ofício com total discrição".

Mais prisões e extensão das investigações

Além do piloto, a polícia também prendeu a avó de duas adolescentes, de 53 anos, suspeita de permitir e até facilitar os encontros entre Sérgio e suas netas. Uma terceira pessoa, conhecida do acusado, foi detida em flagrante por armazenar fotos e vídeos envolvendo crianças e adolescentes. Ambas estão sem representação legal no momento.

Foram identificadas outras adolescentes vítimas, incluindo amigas de escola da filha de uma mãe que procurou a polícia após receber uma denúncia anônima. A investigação também aponta possíveis vítimas em outros estados, como o Espírito Santo, onde o piloto teria conhecido uma das jovens de quem mantinha registros no celular.

Impacto emocional devastador nas vítimas

A delegada Luciana Peixoto enfatizou o trauma profundo e duradouro causado às vítimas. "É muito triste conversar com vítimas de violência. Elas trazem uma carga grande de culpa, de dor. Sentem que o corpo delas não vale nada. É uma ferida que leva para a vida adulta".

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Sérgio Antônio Lopes é casado e tem filhos. "Ela [esposa] ficou em choque quando ficou sabendo. Não era a pessoa com quem ela tinha um relacionamento", relatou a delegada, destacando o choque familiar diante das revelações.