PF prende fazendeiros por venda ilegal de combustível a garimpo em terra indígena de MT
PF prende fazendeiros por venda de combustível a garimpo ilegal

Operação da Polícia Federal desarticula esquema de fornecimento de combustível para garimpo ilegal em terra indígena

A Polícia Federal cumpriu nesta segunda-feira (23) uma operação que resultou na prisão preventiva de dois fazendeiros suspeitos de fornecer combustível ilegal para atividades de garimpo clandestino na Terra Indígena Sararé, localizada no município de Pontes e Lacerda, a 483 quilômetros de Cuiabá, em Mato Grosso. Um terceiro suspeito encontra-se foragido, enquanto as investigações revelam uma movimentação financeira superior a R$ 26 milhões em um período de 21 meses.

Esquema milionário descoberto em propriedades rurais

Durante as ações, os agentes federais encontraram mais de quatro milhões de litros de diesel que eram vendidos de forma irregular, abastecendo diretamente as operações garimpeiras dentro do território indígena. As imagens gravadas pela PF mostram o momento em que os policiais adentram uma propriedade rural, onde um dos agentes destacou a incompatibilidade do volume de combustível com as atividades legais da fazenda.

"Isso é incompatível com a capacidade da fazenda. Ali a principal atividade é pecuária, que não precisa usar maquinários como escavadeiras hidráulicas", afirmou um dos investigadores, evidenciando que o combustível estava sendo desviado para fins ilícitos.

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Operação cumpre mandados e revela devastação em Sararé

Além das prisões, a operação cumpriu quatro mandados de busca e apreensão nas residências dos investigados, com ordens judiciais expedidas pela 2ª Vara Federal da Subseção Judiciária de Cáceres. A investigação teve início a partir de uma fiscalização realizada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), com apoio da Polícia Federal e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), em postos de combustíveis de Conquista d’Oeste e Pontes e Lacerda, além de fazendas com reservatórios de óleo.

A Terra Indígena Sararé, uma das mais devastadas da Amazônia Legal, possui 67 mil hectares, dos quais mais de três mil já foram destruídos pela exploração ilegal de ouro. Os agentes suspeitam que cerca de dois mil garimpeiros e membros de organizações criminosas atuam dentro do território, gerando conflitos armados constantes.

Combate intensificado contra o garimpo ilegal

Em quase dois meses de operações contínuas, já foram destruídas na área mais de 160 escavadeiras, centenas de motores e diversas estruturas de suporte logístico para atividades ilegais. Desde 2023, mais de 460 escavadeiras foram neutralizadas durante ações de fiscalização em Sararé, demonstrando a escala do problema e os esforços das autoridades para combatê-lo.

O esquema desarticulado pela Polícia Federal não apenas movimentava valores milionários, mas também contribuía diretamente para a devastação ambiental e os conflitos sociais na região, colocando em risco as comunidades indígenas e o equilíbrio ecológico da Amazônia Legal.

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